O Espírito Santo vive hoje um contraste que vale a pena parar para observar: enquanto a política eleitoral de 2026 dá seus primeiros passos públicos, o estado real segue avançando em frentes que não fazem manchete de capa, mas que mexem no bolso e na vida de quem mora aqui.
O sinal mais claro do calendário eleitoral chegou pela Assevila. Três candidatos ao governo do Espírito Santo confirmaram presença no Diretrizes 2026, encontro empresarial marcado para esta quarta-feira no Shopping Praia da Costa, em Vila Velha. É o tipo de evento que funciona como termômetro: empresários testando discurso de pré-candidatos quinze meses antes da eleição, num movimento que tende a se repetir em outros fóruns pelo estado nos próximos meses.
No mesmo município, mas em outra chave, veio uma notícia que interessa a qualquer eleitor antes mesmo do debate político esquentar: Vila Velha assumiu a primeira colocação no Ranking da Transparência Internacional, com nota máxima nos módulos Geral e Saúde. É um dado concreto de gestão que qualquer candidato — dos três que estarão no Diretrizes 2026 ou não — vai ter de citar, para o bem ou para o mal, quando o assunto for administração pública capixaba.
Enquanto isso, a engrenagem econômica do estado segue girando sem esperar a política. O Programa Eficiência Logística do Espírito Santo foi citado pelo BID como referência para fechar um seguro de crédito com a agência japonesa Nexi — um reconhecimento técnico que reforça algo que o capixaba já sabe na prática: a logística portuária e rodoviária do ES é ativo estratégico, não coadjuvante, na relação do Brasil com o comércio internacional.
Essa mesma vocação econômica aparece em escala menor, mas igualmente relevante, no Senai de Vitória, que abriu 90 vagas em cursos profissionalizantes gratuitos com aulas a partir de setembro, e no Fórum Liberdade, Atitude e Empreendedorismo, que reuniu CEOs e atletas em Aracruz nesta terça-feira. São iniciativas que não competem por holofote com a disputa pelo Palácio Anchieta, mas formam a base de mão de obra e de rede de empreendedorismo que qualquer governo eleito vai herdar — ou vai precisar construir do zero, se essas frentes forem abandonadas.
Há também uma reparação histórica que segue tramitando fora do radar político imediato: um programa vai destinar R$ 1 bilhão a mulheres atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, incluindo moradoras do litoral norte capixaba, região que sentiu na pele a lama do Rio Doce chegando ao mar. É um lembrete de que o Espírito Santo carrega, há quase uma década, uma dívida ambiental e social que nenhuma disputa eleitoral resolveu — e que continua sendo paga, a conta-gotas, longe das câmeras.
No campo esportivo, o interior mostra força própria: Guarapari recebe até o dia 31 de agosto o Super 15 de basquete, com 60 equipes de 19 estados brigando por vaga na fase final do Interclubes Sub-15, e a Federação de Futebol do ES definiu nesta terça-feira os grupos das Copas ES Sub-15 e Sub-17, movimentando bases de formação esportiva em municípios menores. É a prova de que o esporte de base capixaba não depende de calendário político para crescer — ele já tem agenda própria e vem entregando resultado.
O Corpo de Bombeiros, por sua vez, abriu inscrições para o Curso de Formação de Guarda-Vidas 2026, com prazo até 16 de setembro — um detalhe que soa administrativo, mas que garante segurança para o verão que vem, temporada que movimenta turismo e economia em praticamente toda a costa do estado.
O que fica do dia é uma lição simples: a política de 2026 vai ocupar cada vez mais espaço nas próximas semanas, e é saudável que isso aconteça em público, como no Diretrizes 2026. Mas o capixaba faria bem em observar, em paralelo, se essas frentes de logística, formação profissional, reparação e esporte de base continuam recebendo atenção proporcional — porque são elas, no fim das contas, que definem a qualidade de vida real, muito além do resultado de outubro.



