Durante seis anos, o trabalhador rural Edmilson Domingos Lomar, de 53 anos, precisou fazer hemodiálise três vezes por semana, com sessões de até quatro horas. A rotina de tratamento o obrigou a deixar a cidade de Irupi, no Sul do Espírito Santo, e se mudar para Linhares, onde havia clínica mais próxima.
A solução veio de uma amizade de mais de 30 anos. Valtanir Mateus, 54 anos, também natural de Irupi, decidiu verificar se poderia ser doador vivo compatível com o amigo. Após exames de compatibilidade, o procedimento foi autorizado.
Como os dois não têm grau de parentesco, foi necessária uma autorização judicial para viabilizar a doação. Segundo o gerente ambulatorial do Hospital Evangélico de Vila Velha (HEVV) e responsável pelo Serviço de Transplantes, Bruno Majevski, a legislação permite doação entre parentes até o quarto grau; fora dessa relação, é exigido alvará judicial.
O transplante foi realizado há duas semanas no HEVV. Desde então, Edmilson relata melhora na qualidade de vida, incluindo a retomada de funções básicas que a hemodiálise impedia, como urinar normalmente.
Antes da doação, Edmilson havia abandonado a casa que construíra em Irupi para se tratar em Linhares. Ele descreve o período de hemodiálise como uma limitação severa da rotina, incluindo restrições à ingestão de líquidos e à possibilidade de viajar.



