A tradição do bordado no distrito de Burarama, em Cachoeiro de Itapemirim, começou em 1973, quando a bordadeira Mariângela Fassarela, então com 19 anos, passou a ensinar a técnica para crianças da vizinhança dentro de casa, ao lado da mãe.

O grupo recebeu o nome Meninas Bordadeiras em 2004, escolhido em conjunto com as crianças que participavam das atividades. Em 2015, o coletivo passou a funcionar também como ponto de memória, reunindo acervo próprio e funcionando como um museu vivo da comunidade.

Para além da preservação cultural, o bordado tem função pessoal na vida das integrantes. A bordadeira Maria Lúcia Gava entrou no grupo em 1982, período em que enfrentava um momento delicado, e segue no artesanato mesmo após se aposentar da educação, onde trabalhou por anos.

As peças bordadas retratam brincadeiras de infância e elementos da natureza local, como sons de sapos ouvidos à noite em Burarama, conforme relata a bordadeira Eunice Fassarela. Cada peça carrega uma lembrança específica transferida para o tecido.

O trabalho ganhou novo alcance com a coleção Corações, iniciativa do Sebrae-ES que conecta artesanato, moda e turismo. Segundo a analista técnica do Sebrae-ES Luciana Nogueira, as artesãs receberam orientação em gestão e precificação, o que agrega valor às peças, muitas vezes feitas sob encomenda e ligadas à história de quem as pede.

O projeto integra outras iniciativas do Sebrae na região de Cachoeiro, conectando as Meninas Bordadeiras a atrativos como comunidades quilombolas e a Floresta Nacional, também em Monte Líbano. A expectativa da instituição é ampliar o tempo de permanência de turistas na região e fortalecer a economia local por meio do turismo de experiência.