A dificuldade de adormecer ou manter o sono contínuo em dias de calor intenso tem explicação fisiológica. Para que o cérebro inicie o ciclo de repouso e libere hormônios importantes, a temperatura central do corpo precisa cair cerca de 1°C. Quando o ambiente externo está muito aquecido, esse mecanismo natural de resfriamento é bloqueado, gerando o que especialistas chamam de insônia térmica.
O resultado é um estado de vigília forçada, com fragmentação das fases mais profundas do sono. Isso gera desgaste metabólico que afeta a saúde cardiovascular e a imunidade no dia seguinte. Segundo dados da Associação Brasileira do Sono, grande parte da população já dorme menos do que o necessário, e a situação se agrava no verão.
A faixa de temperatura ideal para o sono de um adulto saudável fica entre 18°C e 22°C. Quando o quarto passa dos 25°C, o ambiente passa a devolver calor para a pele em vez de absorvê-lo, forçando o sistema cardiovascular a trabalhar mais para dissipar o calor interno. Tecidos sintéticos na cama, refeições pesadas à noite e falta de ventilação agravam esse quadro.
Quando a dificuldade de dormir persiste mesmo com mudanças de hábito, é recomendável buscar avaliação médica especializada. O diagnóstico ajuda a diferenciar a privação puramente causada pelo calor de distúrbios crônicos, como apneia obstrutiva, que também pode se manifestar com roncos intensos ou engasgos durante a noite. Em casos de dúvida, pode ser indicada uma polissonografia.
Entre as estratégias recomendadas para dormir melhor sem ar-condicionado estão: manter janelas e persianas fechadas durante o dia, abrindo-as só ao anoitecer; trocar lençóis sintéticos por algodão ou linho; tomar banho morno, nunca gelado, antes de dormir; e usar bolsas de água fria em pontos como pulsos, tornozelos e nuca. Ventiladores posicionados atrás de uma bacia com água e gelo também ajudam a criar uma brisa mais fresca.
O uso de medicamentos indutores do sono sem prescrição médica, mesmo em noites muito abafadas, representa risco à saúde cardiovascular e respiratória. A reportagem tem caráter informativo e não substitui avaliação médica presencial. Caso a exaustão diurna persista, a orientação é procurar um especialista em sono.



