A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) confirmou nesta quinta-feira (16) que a carne bovina do Brasil ficou de fora das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos. Segundo o presidente da entidade, Roberto Perosa, não há impacto direto sobre o produto neste momento, embora a ABIEC continue acompanhando as negociações entre os governos brasileiro e americano.
O problema, segundo Perosa, está na China, principal mercado da carne brasileira. O país aplicou salvaguardas comerciais que vão durar três anos, medida unilateral que, de acordo com o dirigente, não pode ser resolvida pela indústria nacional. O governo brasileiro tentou negociar, mas o setor terá que conviver com a restrição durante todo o período.
O efeito já é sentido na rotina dos frigoríficos. Como a exportação influencia diretamente preços e margens em toda a cadeia produtiva, cada empresa deve adotar uma estratégia própria para enfrentar o momento. Perosa citou possibilidade de férias coletivas, layoffs e até aquisição de grupos menores por concorrentes maiores, sem uma solução única para o setor.
O dirigente reconheceu que já há relatos de demissões em algumas empresas e que a produção pode ser reduzida para evitar vendas a preços não rentáveis. Segundo ele, companhias mais capitalizadas conseguem resistir por mais tempo, enquanto as menos capitalizadas podem precisar vender a preços mais baixos em outros mercados.
Como alternativa, a ABIEC aposta na diversificação de destinos, com Japão e Coreia do Sul apontados como mercados maduros com chance de abertura em breve. O Vietnã, recém-aberto, deve receber entre 15 mil e 20 mil toneladas neste ano, volume pequeno frente aos 3,5 milhões de toneladas exportados pelo Brasil em 2025.
O cenário de pressão comercial contrasta com um ano histórico para o setor. Em 2025, o Brasil se tornou o maior produtor mundial de carne bovina, com 12,35 milhões de toneladas equivalente carcaça e faturamento recorde de US$ 18 bilhões em exportações para 177 países. A cadeia movimentou R$ 1,159 trilhão, cerca de 9% do PIB nacional, segundo o Beef Report.



