A indústria de bebidas passa por uma transformação silenciosa, mas estratégica. O consumo de cervejas com baixo teor ou sem álcool, conhecidas como NoLo, deixou de ser um nicho e se consolidou como uma aposta das grandes marcas, especialmente nos patrocínios de eventos esportivos globais. O volume de bebidas não alcoólicas cresceu 9% em 2025, com projeção de expansão de 36% até 2029.
No Brasil, o cenário é de forte aceleração. A produção local de cerveja zero saltou de 118,9 milhões para 757,4 milhões de litros, colocando o país como o segundo maior consumidor mundial da categoria. Esse movimento é impulsionado por um interesse renovado por saúde e performance, fazendo com que até atletas de elite invistam no setor e estrelas do esporte promovam alternativas premium às bebidas tradicionais.
A estratégia das cervejarias também responde a restrições legais. Em países onde a publicidade ou a venda de bebidas alcoólicas é proibida em estádios, as versões 0.0 permitem que as marcas mantenham presença e visibilidade. Esse modelo foi observado em competições recentes e sinaliza um novo padrão de patrocínio que contorna legislações rígidas sem perder o apelo junto ao público.
A mudança de comportamento tem uma base geracional clara, capitaneada pela Geração Z. Dados indicam que a porcentagem de jovens com menos de 35 anos que consomem álcool caiu de 72% para 62% nas últimas duas décadas. Esse público, embora deseje manter a conexão com a emoção dos esportes e o ambiente social dos estádios, prefere alternativas que não incluam os efeitos colaterais do consumo alcoólico tradicional.


