O Espírito Santo encerrou o segundo trimestre deste ano com a terceira menor taxa de desemprego do país. Segundo o IBGE, a desocupação no Estado caiu de 3,2% para 2,3% em três meses, e o número de pessoas sem trabalho recuou para 49 mil, uma queda de 25,7% em relação ao trimestre anterior.
A população ocupada no Estado chegou a 2,080 milhões de pessoas, alta de 3,6% (71 mil pessoas a mais) frente ao trimestre anterior, mas estável na comparação com o mesmo período de 2025. O número de desalentados — pessoas que desistiram de procurar emprego — também caiu, passando para 12 mil, uma redução de 36,3%.
Se para o trabalhador o cenário representa mais oportunidades, para empresas capixabas o mercado aquecido tem gerado dificuldade para preencher vagas. O vice-presidente da Fecomércio-ES, José Carlos Bergamin, aponta que a escassez de mão de obra, antes vista como reflexo temporário da pandemia, já afeta planos de expansão de empresas do setor.
Na hotelaria, o presidente da ABIH-ES, Fernando Otávio Campos, avalia que faltam profissionais em praticamente todas as áreas, da recepção à governança e cozinha. Segundo ele, o setor consegue treinar novos funcionários, mas enfrenta dificuldade para atrair e manter pessoas interessadas em seguir na atividade.
Na construção civil, o presidente do Sinduscon-ES, Douglas Vaz, afirma que o número de empregos formais no setor vem crescendo, mas funções como carpinteiro, armador e mestre de obras enfrentam falta de profissionais há tempos. Ele atribui o problema principalmente ao envelhecimento da mão de obra do setor. O diretor da Ademi-ES, André Grijó, confirma dificuldade crescente tanto para reter profissionais quanto para preencher novas vagas na construção civil.
No comparativo nacional, 11 das 27 unidades da federação terminaram o trimestre com desemprego abaixo da média do país, de 5,4%. Em cinco delas, a taxa não chega a 3%. O analista do IBGE William Kratochwill atribui as diferenças entre estados a fatores como nível de industrialização, ritmo da atividade econômica e escolaridade da população.


