Um estudo da Amcham Brasil estima que a expansão da cadeia de minerais críticos e terras raras pode gerar 750 mil empregos no Brasil e adicionar R$ 192,1 bilhões ao PIB nacional nos próximos 24 anos. Desse total, 446 mil vagas — cerca de 60% do efeito estimado — estão ligadas ao adensamento da cadeia produtiva, segundo Jaques Paes, executivo da indústria de mineração e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Para o Espírito Santo, a projeção é de aproximadamente 25 mil novas ocupações até 2050, o equivalente a 3,3% do total nacional estimado. O Estado já reúne parte das condições consideradas necessárias para disputar essa cadeia: infraestrutura portuária e logística, capacidade industrial instalada, experiência em processamento mineral e conexão com mercados externos.

A instalação da montadora chinesa Great Wall Motors (GWM) em Aracruz, no Norte do Estado, é citada como um possível fator de atração para outras indústrias. Segundo Paes, uma primeira instalação testa infraestrutura, mão de obra, fornecedores e processos de licenciamento, o que pode facilitar a chegada de novas empresas ao Estado.

Para o físico nuclear Marcos Tadeu Orlando, professor da Ufes e representante da instituição no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Terras Raras, o principal vetor de desenvolvimento está em agregar valor dentro do Espírito Santo, transformando o mineral em componentes tecnológicos acabados, o que geraria empregos de maior remuneração para engenheiros, químicos e técnicos locais.

O economista Sebastião Demuner destacou que a malha de rodovias, ferrovias e portos capixabas é um fator favorável para que minerais extraídos em outros estados também sejam processados em território do Espírito Santo. Já a Nova ES, agência estadual de atração de investimentos, afirmou que a estratégia é buscar empresas voltadas ao beneficiamento dos minerais e à fabricação de componentes, e não apenas à extração e exportação da matéria-prima.

O Brasil possui cerca de 21 milhões de toneladas de óxidos de terras raras, o equivalente a 23% das reservas mundiais. O Espírito Santo tem formação geológica muito antiga, da Era Arcaica, e alguns pontos com essas reservas já foram identificados. Pesquisadores da Ufes trabalham em laboratório com areias monazíticas e já identificaram potencial de uso de três elementos — cério, samário e neodímio — em aplicações como cerâmicas magnéticas, limitadores de corrente para plataformas de petróleo e estruturas para regeneração óssea.