O Espírito Santo deve atrair mais de 100 empresas do setor de logística nos próximos dez anos, com investimentos estimados em R$ 5 bilhões. A projeção foi divulgada pelo presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo, Ricardo Paixão, em levantamento publicado pelo Tribuna Online.
Os números já mostram essa trajetória de expansão. O estoque de condomínios logísticos do estado passou de 163 mil metros quadrados em 2020 para 1,72 milhão de metros quadrados no primeiro trimestre de 2026, segundo dados da consultoria Colliers. Com base nesse ritmo, a projeção é de incorporação de mais 2,6 milhões de metros quadrados ao mercado capixaba na próxima década.
Entre os projetos de infraestrutura que sustentam essa expansão está o ParkLog Sul Capixaba, oficializado pelo Governo do Estado em maio de 2026. A iniciativa prevê integrar rodovias, ferrovias, portos e o Aeroporto de Cachoeiro de Itapemirim para facilitar o escoamento da produção regional de rochas ornamentais, petróleo e gás e agronegócio. O plano contempla a conexão entre os portos de Ubu, em Anchieta, e Central, em Presidente Kennedy, além da futura ferrovia EF-118, que ligará o Espírito Santo ao Rio de Janeiro.
Também estão em estudo medidas para diversificar as cargas movimentadas pelo Porto de Ubu, com a inclusão de contêineres e grãos, além das pelotas de minério de ferro já transportadas. Segundo o secretário de Estado de Desenvolvimento, Rogério Salume, a capacidade projetada para a movimentação conjunta dos portos de Ubu e Central é de 266 milhões de toneladas por ano.
Empresas já estão se instalando no estado. Em 2026, Amazon e DHL Supply Chain inauguraram um centro de distribuição de 31 mil metros quadrados em Cariacica, com capacidade inicial para processar mais de 420 mil pacotes por semana. A Shopee abriu um centro de distribuição em Vitória, e a Master Cargas Brasil iniciou operação em Linhares voltada ao comércio exterior e à logística integrada.
Parte da atratividade do estado está nos incentivos fiscais dos programas Compete-ES e Invest-ES, que oferecem benefícios de ICMS para empresas de comércio eletrônico, atacadistas e importadoras. A Reforma Tributária, no entanto, pode reduzir essa vantagem competitiva. O período de transição exige planejamento, segundo o secretário Rogério Salume, que avalia que o Espírito Santo deve seguir competitivo pela localização, pela base industrial e pela infraestrutura de portos e ferrovias.



