O hábito de rolar o feed nas redes sociais tem influenciado a escolha profissional de jovens da geração Z, segundo Cosme Peres, vice-presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos no Espírito Santo (ABRH-ES). Para ele, plataformas como Instagram e TikTok mostram resultados de sucesso, mas raramente exibem o esforço, as tentativas frustradas e a instabilidade envolvidos no processo.
Essa exposição seletiva cria a expectativa de que o sucesso profissional deve ser rápido, o que não condiz com a construção real de uma carreira, que exige tempo, conhecimento acumulado e resiliência diante de erros.
Peres recomenda que o jovem avalie três dimensões antes de escolher uma profissão: identidade (quem eu sou), aptidão (o que eu gosto e consigo fazer bem) e mercado (onde há espaço para gerar valor). Segundo ele, é preciso distinguir o desejo pela profissão em si do desejo pelo estilo de vida imaginado que ela proporciona.
O especialista cita como exemplo carreiras técnicas e tradicionais — como manutenção, logística, tecnologia, saúde, engenharia e construção — que não geram conteúdo vistoso para redes sociais, mas sustentam cadeias produtivas inteiras e oferecem estabilidade.
No mercado de trabalho capixaba, o reflexo dessa influência digital já aparece nos processos seletivos. Fernanda Peroba, porta-voz da Viação Águia Branca, relata que é cada vez mais comum jovens declararem interesse em ser influenciadores digitais durante entrevistas de emprego.
Na empresa, 95% dos estagiários são efetivados, e há casos de profissionais que começaram como aprendizes e chegaram a cargos de gerência. Um exemplo é Henrique Demoner, de 26 anos, que ingressou como estagiário e em dois anos assumiu a gerência de Processos, Inovação e Clientes do Grupo Águia Branca.



