Empresas e ativos do Espírito Santo entraram no radar de fundos estrangeiros de peso. Nos últimos anos, três negócios de grande porte reuniram investidores de Abu Dhabi, dos Emirados Árabes e de Singapura interessados em ativos capixabas.

O caso mais recente é a compra da Universidade Vila Velha (UVV) pela Clariens Educação, braço de ensino superior do fundo Mubadala Capital, de Abu Dhabi. A operação teve aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) na última semana, o que representa um passo decisivo para a conclusão do negócio.

Outro movimento de destaque é o controle, pela empresa emiradense TAQA, de mais de R$ 10 bilhões em ativos de saneamento no Estado. O controle veio com a aquisição da GS Inima no ano passado, companhia responsável pela concessão de saneamento em 34 municípios capixabas e pelo projeto de Água de Reúso de Vitória, que abastece a Vale.

Há ainda a participação de 15% na MedSênior, operadora de saúde capixaba, detida pelo fundo soberano de Singapura Temasek desde 2022. A transação abriu caminho para a expansão da empresa em outros mercados do país, como São Paulo.

Segundo o economista e professor da Fucape Business School Eduardo Araújo, o Espírito Santo reúne estabilidade institucional e fiscal, experiência em concessões, proximidade dos maiores mercados consumidores do país e vocação logística, fatores que tornam empresas locais atrativas como plataforma de expansão nacional. O advogado tributarista Samir Nemer acrescenta que a localização estratégica, a estrutura portuária e a vocação para o comércio exterior também pesam nessa equação.

Os dois especialistas avaliam que o movimento deve ganhar força nos próximos anos. Araújo aponta que a atração de novos investimentos dependerá da capacidade do Estado de construir relações institucionais permanentes e apresentar projetos concretos, especialmente diante da reforma tributária, que reduz o peso dos incentivos estaduais de ICMS e passa a distribuir o IBS predominantemente pelo destino. Nemer, por sua vez, destaca um interesse crescente de fundos do Oriente Médio em conhecer melhor o ambiente de negócios brasileiro.