Com a ascensão de tecnologias como o ChatGPT e o Google AI, o comportamento dos usuários na internet tem mudado significativamente. As visitas a sites de notícias, por exemplo, caíram drasticamente, com portais que antes registravam 50 mil acessos mensais enfrentando reduções para 30 mil em um curto espaço de tempo. Essa redução diretamente afeta jornais e portais que dependem da publicidade online para manter suas operações.

No Brasil, essa tendência é corroborada por dados da Similarweb, que mostram uma queda de 26% no tráfego para sites de notícias desde a introdução de recursos de IA pelo Google. O especialista em mídias digitais Giovanni Ballarin destaca que os portais são especialmente vulneráveis, pois o conteúdo produzido por jornalistas é frequentemente utilizado pelas IAs sem retornos diretos de cliques ao site. Com isso, o investimento em conteúdo de qualidade se torna menos rentável.

Ballarin ainda argumenta que, embora o cenário apresente desafios, há uma perspectiva diferente: as visitas originadas de respostas de IA possuem 23 vezes mais chances de conversão em comparação com tráfico pago convencional. Isso implica que, ao serem direcionados por esse tipo de conteúdo, os visitantes já demonstram uma intenção mais clara de consumir os produtos ou serviços oferecidos.

Diante dessa nova dinâmica, os portais de notícias precisam se ajustar para garantir visibilidade nas busca AI. Fatores como otimização técnica do site e contexto no conteúdo são essenciais para que sejam mencionados nas respostas das ferramentas de busca visando manter o tráfego e, consequentemente, a receita advinda das publicidades digitais. O cenário pode pressionar ainda mais os portais locais a repensarem suas estratégias de conteúdo.

Por fim, o Google, com sua imensa audiência de aproximadamente 17 bilhões de pesquisas diárias, deve continuar dominando a busca online, mas a transição desse sistema para um assistente pessoal deve ser gradual e acompanhada de ajustes na infraestrutura. Por isso, é crucial que os portais locais se adaptem rapidamente à esta nova realidade para não verem seus desempenhos e receitas ainda mais deteriorados.