As praias do Sul do Espírito Santo continuam atraindo compradores, mas o motor real do crescimento imobiliário da região são as grandes obras de infraestrutura e os projetos industriais em andamento.

O Porto Central, em Presidente Kennedy, a retomada das usinas de pelotização da Samarco, em Anchieta, um projeto de Zona de Processamento de Exportações (ZPE) e o futuro eixo logístico da EF-118 estão entre os principais indutores dessa movimentação.

A Samarco prevê contratar 4.000 novos trabalhadores para as usinas de Ubu até 2027. O Porto Central, por sua vez, projeta gerar 1.200 empregos diretos até 2028.

Segundo o consultor imobiliário Renato Avelar, a descentralização da economia estadual e os incentivos fiscais para investimentos fora da Grande Vitória tendem a repetir no Sul o crescimento já observado no Norte do Estado. Ele cita como diferenciais a duplicação da BR-101, a ES-118, a ampliação da Samarco e o superporto de Presidente Kennedy.

Para o vice-presidente do CAU/ES, Greg Repsold, o momento atual é diferente de outros ciclos imobiliários porque está ligado a cadeias produtivas reais, como porto, mineração e logística, o que tende a dar mais durabilidade ao movimento, embora não elimine riscos.

Municípios da região vêm revisando seus planos diretores para organizar essa expansão. Em Guarapari, cerca de 8.500 novos lotes devem receber investimentos nos próximos anos, segundo o presidente do Sindicig, Emerson Macedo. Em Anchieta, a Secretaria de Desenvolvimento aposta na valorização de balneários como Iriri, Castelhanos e Ubu, com mais quatro condomínios em análise de viabilidade.

Entre os empreendimentos já lançados estão o loteamento Ita Park, em Guarapari, com lotes a partir de R$ 171 mil e entrega prevista para outubro de 2026; o Soma Villaris, no centro de Guarapari, com unidades a partir de R$ 190.733,49; e o residencial Moa Iriri, lançado em 27 de janeiro deste ano, com apartamentos a partir de R$ 543.021,91.