O avanço tecnológico tem acelerado a reconfiguração do mercado de trabalho e exigido novas competências de profissionais de diferentes áreas no Espírito Santo. Especialistas apontam que o aprendizado constante e os cuidados com a saúde se tornaram fatores essenciais para quem busca manter uma carreira sólida.
O tema foi debatido durante o painel Atenção em Jogo: como aprender, ensinar e construir o futuro na era da distração, parte da programação da Arena Profissões do Educares ES. O evento aconteceu na tarde de quarta-feira, 2 de setembro, no Centro de Convenções de Vitória (CCV), com apresentação do ator Marcos Veras e participação de estudantes de várias regiões do Estado.
O secretário de Estado de Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional, Jales Cardoso, avalia que a pandemia acelerou em cerca de uma década transformações que eram esperadas para o longo prazo. Ele citou o caso da médica Carolina Fernandes, que migrou da medicina tradicional para o empreendedorismo ao criar a Lauduz, empresa de telemedicina que recebeu recentemente aporte do Fundo Soberano do Espírito Santo.
Segundo Cardoso, a atualização contínua é hoje o principal caminho para reduzir os impactos da automação sobre o emprego, o que exige tanto requalificação individual quanto uma postura ativa da gestão pública para acompanhar as mudanças. Carolina Fernandes destacou que o Espírito Santo vem se consolidando como ambiente favorável para atrair negócios de base tecnológica, com incentivos estaduais e retenção de talentos.
Dados do Fórum Econômico Mundial citados no evento apontam a criação de cerca de 170 milhões de novos postos de trabalho até 2030, contra a extinção de aproximadamente 90 milhões de vagas tradicionais, um saldo positivo. A presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos no Espírito Santo (ABRH-ES), Neidy Christo, afirmou que a tecnologia tende a substituir tarefas repetitivas ou insalubres, como a manutenção de galerias de esgoto, e não necessariamente a mão de obra humana como um todo.
O diretor regional do Senac-ES, Richardson Schmittel, e o diretor do Sebrae Espírito Santo, Eurípedes Pedrinha, reforçaram que a capacidade de adaptação e a requalificação profissional contínua se tornaram pilares para a manutenção de empregos no cenário atual. O nutricionista Nathan Carvalho complementou o debate ao defender que a sustentabilidade de uma carreira longa também depende de bem-estar físico, equilíbrio mental e clareza de propósito profissional.



