Um plano de ação para tentar recuperar o Rio de Janeiro foi apresentado na segunda-feira, 20, no Museu do Amanhã. O documento, organizado pela entidade apartidária RioAgora.Org, reúne propostas para diversas áreas e foi entregue a candidatos a deputado estadual, deputado federal, senador e governador que disputam as eleições de outubro. A expectativa dos organizadores é iniciar uma mudança de rumo já em 2027.
O idealizador do RioAgora, o economista Guilherme Cezar Coelho, aponta o Espírito Santo como principal referência do projeto. Em artigo publicado na Folha de São Paulo, ele lembrou que o Estado viveu uma crise semelhante há 20 anos e que a articulação da sociedade civil, com destaque para a iniciativa Espírito Santo em Ação, teria produzido uma das maiores reviravoltas institucionais do país neste século, combinando liderança política, força-tarefa federal contra o crime e a corrupção, responsabilidade fiscal e mobilização social.
A inspiração não fica apenas no discurso. Há alguns meses, a equipe do RioAgora mantém contato semanal com o time do ES em Ação para entender o funcionamento do modelo capixaba desde o início, incluindo como se desenvolveu e quais são os planos futuros. O presidente do ES em Ação, Fernando Saliba, descreve o processo como a exportação de um modelo que trouxe equilíbrio e desenvolvimento para o Espírito Santo, baseado em pilares como transparência, visão de longo prazo, trabalho coletivo e caráter de política de Estado, não de governo.
As conversas com os representantes fluminenses são conduzidas por Saliba e pelo superintendente do ES em Ação, Luciano Gollner. Segundo ele, o que mais desperta interesse de quem visita o Espírito Santo é o ambiente de articulação criado no Estado, em que o debate acontece com facilidade e soluções são encontradas mesmo com problemas ainda existentes. O objetivo, no caso do Rio, é ajudar o empresariado e a sociedade civil a tirar a agenda de recuperação do papel.
Antes do contato com o RioAgora, Gollner já mantinha interlocução com empresários fluminenses ligados à entidade Educação Rio, voltada à melhoria dos índices de ensino no Estado vizinho. Segundo ele, o ES em Ação passou a atuar também em agendas de longo prazo, como educação, depois da fase inicial de combate à corrupção, e essa experiência já vinha sendo compartilhada.
Além do Rio de Janeiro, o ES em Ação mantém diálogo com entidades do Rio Grande do Sul, São Paulo, Sul da Bahia, Pernambuco e Mato Grosso. Nos dois últimos estados já existem instituições semelhantes em funcionamento. Caso o processo avance, os articuladores capixabas admitem a possibilidade de formação de uma rede nacional baseada no modelo desenvolvido no Espírito Santo.


