O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) ativou nesta quinta-feira, 3 de setembro, o Gabinete Permanente de Crise para acompanhar os possíveis efeitos do fenômeno El Niño no Estado. A medida tem como foco áreas consideradas sensíveis diante de eventos climáticos extremos, como segurança hídrica, defesa civil, meio ambiente, saúde, agricultura e infraestrutura.

Segundo o MPES, o gabinete vai funcionar como instrumento de articulação e acompanhamento das providências adotadas pelo governo estadual e pelas prefeituras capixabas diante das projeções climáticas. A iniciativa antecede possíveis consequências que o fenômeno pode causar no regime de chuvas, na produção agrícola e na infraestrutura dos municípios.

De acordo com especialistas, os efeitos do El Niño podem se estender até março de 2027, mantendo o Espírito Santo sob alerta para eventos extremos como chuvas irregulares, períodos de calor intenso, estiagem e aumento do risco de incêndios em vegetação.

O coronel Benício Ferrari Junior, chefe da Defesa Civil Estadual, aponta que a principal preocupação não está apenas no volume de chuva, mas na forma como ela será distribuída ao longo do ano. Esse cenário pode levar o Estado a enfrentar, em um mesmo período, episódios de chuva intensa seguidos por falta de água e aumento dos incêndios em vegetação.

O meteorologista Pedro Regoto, da Climatempo, avalia que o Estado deve enfrentar ondas de calor no fim de 2026 e também no primeiro semestre de 2027, com destaque para o verão, quando as temperaturas já são naturalmente mais elevadas. A intensidade do El Niño, segundo as projeções citadas, deve atingir o patamar mais forte entre outubro e dezembro deste ano.