Cinco grandes setores da economia exportadora do Espírito Santo podem ser beneficiados por duas medidas em estudo pelo governo federal para reduzir os efeitos da nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A taxação atinge rochas naturais e minerais, alimentos, agronegócio e bebidas, cosméticos e higiene pessoal, máquinas e tecnologia, além de vestuário e calçados.

Uma das medidas é uma nova edição do programa Brasil Soberano, com linhas de crédito e juros subsidiados, mas sem diferimento de impostos ou facilitação de compras públicas, como ocorreu na versão anterior lançada em agosto passado. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, indicou que o volume de recursos deve ser mais modesto desta vez, já que há mais exceções incluídas na nova tarifa.

A segunda medida é elaborada pela ApexBrasil e prevê tarifas reduzidas para que as indústrias afetadas possam exportar à União Europeia, com base no acordo Mercosul-União Europeia assinado em janeiro. O investimento previsto é de R$ 130 milhões, em parceria com o setor privado.

Segundo levantamento da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), 480 produtos capixabas devem ser afetados pela nova tarifa, que se soma aos 10% já em vigor até o final do mês. A nova taxação está prevista para começar em 22 de julho. O setor de rochas naturais e minerais é o mais exposto, com cerca de US$ 207 milhões exportados em 2025, o equivalente a aproximadamente R$ 1 bilhão.

Os produtos que serão taxados somaram mais de US$ 230,8 milhões em exportações em 2025, o que representa 2,3% de toda a pauta exportadora do Espírito Santo e 8,1% das vendas do Estado para os Estados Unidos. No 1º semestre de 2026, o Estado exportou US$ 1,4 bilhão, uma queda de 17,2% em relação ao mesmo período de 2025, recuo atribuído aos ciclos anteriores de tarifas, que chegaram a 50%.

Para o presidente da Findes, Paulo Baraona, o Espírito Santo está entre os estados brasileiros mais expostos ao novo ciclo tarifário. Já o professor de Relações Internacionais Daniel Carvalho avalia que o cenário atual é menos grave do que o do ano passado, tanto pela lista maior de isenções quanto pela adaptação prévia dos empresários brasileiros à instabilidade no comércio internacional.