Os oceanos tiveram em julho o segundo mês seguido de temperatura recorde, segundo relatório do serviço Copernicus, da União Europeia, divulgado nesta segunda-feira, 10 de agosto. A média global da superfície do mar chegou a 20,96°C, patamar associado ao El Niño, fenômeno climático cíclico que tende a intensificar eventos extremos no restante de 2026 e em 2027.
O calor marcou julho no hemisfério norte, com ondas de calor e incêndios florestais no Canadá e na Europa Ocidental. Na Europa, a temperatura média do ar ficou em 21,62°C, 2,79°C acima da referência histórica, superando o recorde de 2022. Na França, foi o julho mais quente desde o início das medições, em 1900.
A seca também bate recordes na Itália, Suíça e Alemanha. Rios como Sena, Reno e Danúbio estão com níveis historicamente baixos, prejudicando navegação, agricultura e frete de itens essenciais. Na Alemanha, dragas operam com apenas 20% da capacidade normal, e o governo pediu suspensão temporária de restrições ao tráfego de caminhões em fins de semana.
Estudo do World Weather Attribution, com participação do Imperial College de Londres, apontou que a onda de calor de junho foi a mais severa já registrada no continente europeu, com temperaturas que seriam impossíveis de ocorrer há 50 anos. A mudança climática, impulsionada pela queima de petróleo, carvão e gás, é apontada como o principal motor desses eventos.
Em termos globais, julho de 2026 empatou estatisticamente com 2024 na segunda posição do ranking histórico, atrás apenas de 2023. A temperatura média global ficou em 16,9°C, 1,47°C acima da média pré-industrial (1850-1900). Cientistas alertam que o limite de 1,5°C definido pelo Acordo de Paris pode ser ultrapassado ainda nesta década.
O relatório do Copernicus também aponta seca acima do habitual em regiões da Argentina, Uruguai e Bolívia. No Brasil, foi registrada umidade maior do que a média no Sul do país, com tempestades e tornados no Rio Grande do Sul em agosto — fenômenos que meteorologistas associam à influência do El Niño. O documento não traz dados específicos sobre o Espírito Santo, mas o histórico do fenômeno indica potencial de alteração no regime de chuvas em diferentes regiões do país, o que reforça a necessidade de acompanhamento das previsões locais nos próximos meses.


