Celebrado em 18 de junho, o Dia do Orgulho Autista propõe uma reflexão que busca valorizar a neurodiversidade, fortalecer a autoestima e reconhecer as singularidades e potencialidades das pessoas autistas. Criado em 2005 por um grupo de pessoas autistas, o movimento defende a ideia de que o autismo não deve ser encarado apenas sob a ótica das dificuldades, mas também como uma forma diferente de perceber, processar e interagir com o mundo. A proposta é combater estigmas, ampliar a aceitação social e garantir que as pessoas autistas tenham voz ativa sobre suas próprias vivências e necessidades.

 

A presidente da Associação dos Amigos dos Autistas do Espírito Santo (Amaes), Pollyana Paraguassú, explica que a data representa um importante avanço na forma como a sociedade compreende o autismo. Para ela, o orgulho autista não significa ignorar os desafios enfrentados diariamente, mas reconhecer que cada pessoa possui uma identidade própria, que merece respeito e oportunidades.

 

“Falar sobre orgulho autista é reconhecer a individualidade, as capacidades e a dignidade das pessoas autistas. É entender que elas não precisam ser moldadas para se encaixarem em padrões sociais, mas que a sociedade precisa se tornar mais acessível, acolhedora e preparada para conviver com as diferenças”, afirma.

 

No Espírito Santo, a discussão ganha ainda mais relevância diante do crescimento da visibilidade sobre o tema e da ampliação do acesso ao diagnóstico. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, divulgados a partir do Censo 2022, apontam que o estado possui mais de 51 mil pessoas com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista, evidenciando a necessidade de políticas públicas, serviços especializados e ações permanentes de inclusão.

 

Há 25 anos, a Amaes atua justamente para promover qualidade de vida, inclusão e autonomia das pessoas autistas e de suas famílias. A instituição desenvolve um trabalho multidisciplinar nas áreas de educação, saúde e assistência social, oferecendo acolhimento desde o diagnóstico até o desenvolvimento de habilidades que favoreçam a participação social em diferentes fases da vida.

 

Para Pollyana, a construção de uma sociedade verdadeiramente inclusiva passa pela mudança de comportamento coletivo. Ela destaca que celebrar a data é também combater preconceitos ainda presentes no cotidiano. “Precisamos deixar de olhar apenas para as limitações e começar a enxergar as potencialidades. Quando garantimos acessibilidade, respeito e oportunidades, permitimos que cada pessoa autista desenvolva seus talentos e ocupe os espaços que desejar”, ressalta.