O Edifício Valia, no centro de Vitória, deveria se tornar a nova sede da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), abrigando cerca de 70 servidores em uma estrutura de sete andares, com mezanino e cobertura. A obra foi contratada em 2022, com ordem de serviço emitida em novembro daquele ano, por um valor de R$ 3.711.994,04 — abaixo do teto orçado de R$ 5.198.813,51.
Quase três anos depois, em agosto de 2025, o contrato foi rescindido. Segundo a Fapes, a decisão foi orientada pela área técnica em razão do descumprimento de cláusulas contratuais. No período, a empreiteira executou apenas 12,43% da obra e recebeu R$ 503.881,68 pelos serviços realizados.
Diante da inviabilidade de concluir a reforma e ocupar o prédio, o imóvel foi devolvido à Secretaria de Gestão e Recursos Humanos (Seger), também em agosto de 2025. A Fapes informou que uma nova licitação para a mesma obra não é mais viável, já que o espaço não atenderia às necessidades atuais da fundação, que ampliou seu quadro de colaboradores ao longo dos anos.
O Departamento de Edificações e de Rodovias do Espírito Santo (DER-ES) também alertou que seria inviável contratar a segunda colocada da licitação de 2022, pois as condições e valores originais não poderiam ser mantidos depois de todo esse tempo. Após a devolução, a Seger concluiu apenas os serviços de segurança patrimonial, incluindo o fechamento dos acessos ao prédio.
Atualmente, o Edifício Valia está fechado e sem previsão de uso, integrando o banco de imóveis disponíveis para outros órgãos estaduais. A Seger afirma que uma nova reforma só será planejada depois que se definir qual órgão vai ocupar o espaço, para que o projeto atenda às necessidades específicas do futuro usuário. Não há, portanto, estimativa de prazo ou de investimento para a conclusão da obra.
O prédio foi projetado em 1973 pelo arquiteto capixaba Marcelo Vivácqua e fica na Rua Duque de Caxias, ao pé da escadaria Maria Ortiz. Antes de ser destinado à Fapes, em 2019, o governo do Estado chegou a cogitar vender o imóvel, que já abrigou o arquivo da Secretaria de Segurança Pública (Sesp) e a Delegacia de Turismo (Deptur).



