A tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros passa a valer em 22 de julho e atinge itens como etanol, vestuário, calçados e máquinas agrícolas exportados pelo Brasil. Para o consumidor capixaba que pensa em comprar um celular ou notebook novo, a notícia é mais tranquila do que parece à primeira vista.

O motivo é simples: a tarifa recai sobre o que o Brasil vende aos americanos, não sobre o que o país compra de fora. A maioria dos eletrônicos encontrados nas lojas de Vitória, Vila Velha e demais cidades do Estado vem da China ou do Vietnã, ou é montada em território nacional, na Zona Franca de Manaus.

Segundo nota técnica do Ministério da Fazenda, a China responde por cerca de 46% dos celulares importados pelo Brasil, e o Vietnã por 7,9%. Além disso, 95% dos smartphones vendidos no país em 2025 foram montados localmente, ainda que com peças importadas da Ásia. Isso reforça a distância entre o tarifaço americano e o preço final desses produtos nas prateleiras.

Ainda assim, existem caminhos indiretos que podem pressionar o bolso do consumidor. Uma eventual alta do dólar, motivada por piora na percepção de risco sobre a economia brasileira, encarece componentes cotados em moeda estrangeira, como semicondutores, telas e chips. Custos logísticos maiores e uma possível retaliação do governo brasileiro, via Lei de Reciprocidade Econômica, completam a lista de fatores de risco.

A Lei de Reciprocidade foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2025 e permite ao Brasil suspender concessões comerciais e elevar tarifas sobre produtos de países que imponham barreiras ao país. Nesta quinta-feira (16), o Governo Federal confirmou que vai retomar os trâmites para acionar esse mecanismo, suspenso após uma trégua anterior dos Estados Unidos.

Caso a retaliação avance, itens importados diretamente dos EUA, como softwares corporativos, máquinas industriais e alguns equipamentos tecnológicos, podem sofrer aumento de custo repassado ao consumidor com o tempo. Já para quem compra celulares, notebooks e eletrodomésticos de origem asiática em lojas como Magalu, Amazon e Mercado Livre, não há motivo, por ora, para esperar reajustes automáticos ligados ao tarifaço.