Um levantamento feito com base em dados do site Transfermarkt mostra que, dos 1.368 jogadores inscritos pelos 40 clubes que disputam as Séries A e B do Campeonato Brasileiro de 2026, 206 são estrangeiros. Desses, 161 atuam em clubes da primeira divisão e 45 na segunda, o que representa aproximadamente 15% do total de atletas em atividade nas duas competições.

Na Série A, o número de jogadores estrangeiros cresceu 30,9% em três anos, saindo de 123 em 2023 para 161 em 2026. Apesar do aumento expressivo, apenas 25 desses atletas, ou 15% do total, estiveram presentes na Copa do Mundo disputada recentemente nos Estados Unidos.

A ampliação no limite de estrangeiros por clube, autorizada pela CBF em 2024, elevou o teto de sete para nove jogadores por elenco. Segundo a análise, essa mudança teria facilitado a entrada de atletas classificados como medianos, sem espaço nos principais campeonatos da Europa e do Oriente Médio, hoje os maiores compradores de jogadores formados na América do Sul.

A avaliação é de que dirigentes e agentes do mercado brasileiro têm priorizado reforços estrangeiros de passagem rápida em detrimento de jogadores brasileiros de clubes menores, especialmente em equipes que disputam a parte intermediária da tabela.

Clubes tradicionais na formação de atletas, como Vasco, Grêmio e Internacional, aparecem entre os que mais investiram em contratações estrangeiras nos últimos quatro anos, apesar de figurarem na briga contra o rebaixamento no Brasileiro. O Vasco, por exemplo, contratou 23 jogadores desde junho de 2024, sendo 13 estrangeiros e dez brasileiros, elevando de seis para oito o número de atletas de fora no elenco.

A matéria também menciona que a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), criada pela CBF, poderia estabelecer critérios mais rígidos para a importação de jogadores, caso o objetivo seja melhorar a qualidade técnica das competições nacionais.