A vacinação não é um cuidado que se encerra na infância. Segundo especialistas, o envelhecimento reduz naturalmente a capacidade do organismo de combater infecções, tornando idosos mais vulneráveis a doenças que podem levar à hospitalização e à perda de autonomia.

A presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia no Espírito Santo, Marina Malacarne, explica que esse processo é chamado de imunossenescência. Com o passar dos anos, o sistema imunológico perde parte da capacidade de reconhecer e combater vírus e bactérias, o que resulta em respostas mais lentas às infecções e recuperação mais demorada.

O coordenador da Clínica de Imunizações do Hospital Israelita Einstein, Alfredo Gilio, avalia que essa perda de eficiência imunológica acompanha outras mudanças naturais do envelhecimento, como a redução da força muscular.

Para a presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria no Espírito Santo, Fernanda Sperandio, a vacinação vai além de evitar a doença em si. Na geriatria, o desafio muitas vezes não é apenas sobreviver a uma infecção, mas recuperar a funcionalidade perdida depois dela. A imunização ajuda a preservar independência, mobilidade e qualidade de vida do idoso.

A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabella Ballalai, reforça que a vacinação adulta já é rotina em diversos países. Muitas vacinas exigem reforços periódicos, e outras foram desenvolvidas mais recentemente, o que reforça a importância de manter o esquema vacinal atualizado ao longo da vida.

A aposentada Lilia Celia Pereira Mascarenhas, de 71 anos, é exemplo prático dessa recomendação. Desde os 60 anos ela mantém a caderneta em dia e recentemente recebeu a vacina contra a gripe, hábito que aprendeu com a própria mãe e que, segundo ela, reduziu episódios de gripe ao longo do ano.

Conforme avaliação médica, também podem ser indicadas vacinas como hepatite B, febre amarela e meningocócicas, entre outras, dependendo de idade, doenças preexistentes, uso de medicamentos imunossupressores e histórico vacinal de cada pessoa. Especialistas afirmam que as vacinas passam por testes rigorosos de segurança e que efeitos adversos, quando ocorrem, costumam ser leves e passageiros — ao contrário das complicações que as doenças evitadas podem causar em idosos.

Quem perdeu o cartão de vacinação não precisa deixar de se imunizar. A orientação é procurar uma unidade de saúde, já que muitas doses estão registradas em sistemas eletrônicos. Quando não há esse registro, o profissional de saúde pode orientar a atualização segura do esquema vacinal.