O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, assinado em janeiro deste ano após décadas de negociação, prevê tarifa zero para 92% dos embarques do bloco sul-americano para a Europa, valor estimado em US$ 61 bilhões. Outros 7,5%, equivalentes a US$ 4,7 bilhões, ganham acesso preferencial.
O tema foi discutido nesta sexta-feira (17) durante o Diálogos.ag, realizado na Feira Agro Nater Coop, em Santa Maria de Jetibá. O evento, promovido por A Gazeta com apoio da CBN Vitória e parceria da Nater Coop, reuniu o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, o presidente da Abics, Bruno Giestas, e o produtor rural João Elvidio Galimberti, sócio da Nater Coop.
Segundo levantamento de A Gazeta, em 2025 o Espírito Santo destinou 13,5% de suas exportações a países europeus, somando US$ 1,4 bilhão. O secretário Enio Bergoli destacou que produtos capixabas chegaram a 135 países no ano passado, com café, celulose, pimenta-do-reino, gengibre, mamão, cacau, pescados e ovos entre os principais itens.
Para o setor cafeeiro, o acordo pode corrigir uma taxação de 9% sobre o café solúvel brasileiro na Europa, em vigor desde 2006. Bruno Giestas afirmou que a tarifa fez o Brasil perder espaço no mercado europeu nas últimas duas décadas, e que o novo tratado ao menos equipara a concorrência com outros países exportadores.
O Espírito Santo também é destaque na produção de gengibre, com mais de 70% da produção nacional saindo do Estado, em grande parte destinada à União Europeia. A diversificação de mercados ganha importância adicional após o anúncio, na última quarta-feira (25), de tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros — mercado que hoje recebe 22% dos produtos agrícolas capixabas.
Apesar das oportunidades, o acordo impõe exigências de rastreabilidade e sustentabilidade, como a comprovação de que produtos não vêm de áreas de desmatamento ou de trabalho análogo à escravidão. O Estado mantém uma plataforma de selo verde vinculada ao Cadastro Ambiental Rural para atender a essas demandas. Há ainda o risco de aumento da concorrência interna, já que produtos industrializados europeus, como queijos e vinhos, poderão chegar ao Brasil com custos mais baixos.



