Um trabalho de conclusão de curso apresentado na Ufes analisou como decisões do agronegócio cafeeiro são tomadas hoje dentro de grupos de WhatsApp. A pesquisa acompanhou por meses uma comunidade fechada com mais de 300 participantes, entre produtores, exportadores e comerciantes de café.
O estudo identificou uma divisão de papéis dentro do grupo. Um grupo de mediadores concentrava as análises técnicas de mercado, enquanto os demais participantes sustentavam as conversas cotidianas, perguntas e respostas. Segundo a pesquisa, essa combinação é o que dá credibilidade às informações técnicas compartilhadas.
A pesquisa apontou que a força de uma mensagem depende de quem a enviou e do contexto em que foi recebida. Uma leitura sobre preço pode influenciar uma venda. Um alerta de clima pode alterar um manejo. Um relato de quem está no campo pode confirmar ou contestar uma análise feita a distância.
O tamanho do mercado analisado ajuda a explicar a relevância do tema. Segundo a Conab, o café movimentou R$ 65 bilhões em valor bruto de produção na safra de 2025. As exportações bateram recorde de receita cambial, US$ 15,58 bilhões, segundo a Cecafé, mesmo com queda de quase 21% no volume físico embarcado.
Para os autores da pesquisa, boa parte das decisões desse setor bilionário acontece em conversas informais que costumam ser tratadas como ruído. O estudo buscou dar método a um comportamento que produtores e comerciantes já reconheciam por experiência prática.



