A ArcelorMittal confirmou um investimento entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões na planta de Tubarão, no Espírito Santo. O valor será aplicado na construção de um Laminador de Tiras a Frio (LTF) e de uma Linha de Revestimento Contínuo dentro do complexo industrial. As obras têm início previsto para 2026, com inauguração estimada para 2030.

O anúncio marca um novo passo na verticalização da siderurgia capixaba, que historicamente dependeu da exportação de commodities. Em 1983, quando a usina começou a operar sob o nome de CST, a produção se limitava a placas de aço. O primeiro avanço rumo a produtos de maior valor agregado veio em 2002, com a inauguração do Laminador de Tiras a Quente (LTQ).

Atualmente, a produção do LTQ capixaba é enviada para uma fábrica da ArcelorMittal em Santa Catarina, onde passa por processamento adicional. Com o novo laminador e a linha de revestimento em Tubarão, esse processo final passará a ocorrer no próprio Espírito Santo, permitindo o envio direto das bobinas para indústrias de veículos, eletrodomésticos, máquinas e energia.

Segundo Jorge Oliveira, presidente da ArcelorMittal Brasil e da ArcelorMittal Aços Planos na América Latina, o projeto deve gerar oportunidades e criar um efeito multiplicador na cadeia de valor do Estado, fortalecendo a presença da empresa em mercados como o automotivo, de linha branca e de construção civil.

O movimento se soma a outros investimentos recentes no Estado, como a fábrica da GWM em Aracruz, que prevê produzir 200 mil veículos por ano com inauguração estimada para 2028. A Suzano também ampliou sua atuação além da celulose, com uma conversora em Cachoeiro de Itapemirim e uma fábrica de papel em Aracruz, ambas iniciadas a partir de 2020.

O consumo de aço per capita no Brasil ainda é considerado baixo — 122,5 quilos por ano, cerca de 41% abaixo da média global de 209 quilos por ano. A ArcelorMittal já informou que não pretende ampliar a produção de placas em Tubarão, concentrando a estratégia na diversificação e na agregação de valor.