O governo brasileiro começou nesta segunda-feira, 13 de julho de 2026, o transporte de 48 toneladas de leite em pó para Cuba, como parte de um programa de ajuda humanitária ao país caribenho, que enfrenta desabastecimento. A operação é coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), ligada ao Itamaraty, com produtos fornecidos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O transporte é feito pela Força Aérea Brasileira em dois voos com destino a Santiago de Cuba. O primeiro avião decolou às 14h10 da Base Aérea de Canoas, no Rio Grande do Sul, levando 16 toneladas. O segundo voo, com as 32 toneladas restantes, parte nesta terça-feira, 14 de julho, do aeroporto de Porto Alegre. A chegada dos dois carregamentos a Cuba está prevista para quarta-feira, 15 de julho.

A decisão de enviar a remessa foi tomada em reunião de 9 de julho de 2026, que contou com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da ministra-chefe da Casa Civil Miriam Belchior, do ministro da Defesa José Múcio Monteiro, do chanceler Mauro Vieira, da ministra do Desenvolvimento Agrário Fernanda Machiaveli, do comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Marcelo Damasceno, e do presidente da Conab, Sílvio Porto.

Esta é, ao menos, a terceira remessa humanitária enviada pelo Brasil a Cuba neste ano. Em março, o Itamaraty confirmou uma primeira remessa de 2,5 toneladas de medicamentos, incluindo itens contra tuberculose, além de uma segunda leva maior, então estimada em cerca de 20.800 toneladas de itens não perecíveis e 80 toneladas de remédios. Em maio, o Ministério das Relações Exteriores confirmou que as duas primeiras remessas já haviam sido concluídas, embora o volume final entregue na segunda leva não tenha sido divulgado.

O governo brasileiro reforça que não há qualquer tipo de ajuda na área energética a Cuba. Como a Petrobras tem ações listadas na Bolsa de Nova York, um eventual fornecimento de combustível ao país caribenho resultaria em sanções imediatas dos Estados Unidos, o que inviabiliza esse tipo de apoio. A posição foi transmitida pelo presidente Lula ao presidente americano Donald Trump em reunião realizada em 7 de maio.

As doações seguem a lei 12.429, de 2011, alterada pela lei 13.001, de 2014, que prevê o envio de arroz, feijão, milho, leite em pó e sementes de hortaliças em casos de desastres, calamidades públicas ou insegurança alimentar no exterior. Novas remessas de alimentos e remédios ainda estão em avaliação pelo governo brasileiro.