O Espírito Santo tem conseguido enfrentar de forma diferenciada o cenário nacional de juros altos que afeta o mercado imobiliário desde 2022. Segundo especialistas do setor, características econômicas próprias do estado ajudam a sustentar a atividade imobiliária mesmo em um período mais difícil para o crédito.

Um dos principais vetores citados é a expansão do agronegócio no Norte e Noroeste capixaba, impulsionada pelo café conilon. Essa dinâmica tem gerado movimento de compra e aluguel de imóveis nessas regiões, ligado diretamente à pujança do setor rural.

Investimentos de grande porte também entram na conta. São mencionados os projetos da montadora GWM, do Porto da Imetame e do Porto Central como fatores que aquecem a demanda imobiliária em municípios do interior e em áreas próximas a esses empreendimentos.

Na Grande Vitória, novos eixos viários aparecem como elementos que ampliam as possibilidades de expansão urbana. O Contorno de Jacaraípe, que vai até a ponte do Piraqueaçu, é apontado como importante para o desenvolvimento da região de Serra. Já a Leste-Oeste deve impactar Vila Velha, Cariacica e Viana.

Além dos grandes centros já consolidados, como Cachoeiro de Itapemirim, Aracruz, São Mateus, Linhares e Colatina, o mercado também identifica o que é chamado de micro vetores: movimentos localizados em municípios menores, como Pinheiros, Jaguaré, João Neiva, além das regiões do Litoral Sul, Serrana e Caparaó, que muitas vezes não estão no radar dos grandes investidores mas apresentam dinâmicas próprias de crescimento.

Uma terceira via em planejamento pela Prefeitura de Serra é citada como fator que deve criar um novo mercado na orla do município, reforçando o papel das intervenções urbanas e dos investimentos privados no comportamento do setor imobiliário capixaba.