Em meio a uma rotina cada vez mais dominada por telas e redes sociais, o crochê vem ganhando espaço entre jovens capixabas. A técnica, antes ligada às avós e a peças artesanais de outras épocas, hoje aparece em roupas, acessórios e pequenos negócios.

A estudante de Psicologia da Ufes Maria Brandt, de 21 anos, é um dos exemplos dessa aproximação. O primeiro contato com o crochê aconteceu durante uma aula de arteterapia na faculdade. Com materiais que a mãe já tinha em casa, Maria aprendeu sozinha e hoje é proprietária da Papillon Crochet, negócio que nasceu de encomendas de amigas e familiares.

Em Vila Velha, a professora Cleuza da Silva Mattedi, de 59 anos, comanda aulas que reúnem alunos de diferentes idades. No início de agosto, uma turma de 14 pessoas, com idades entre 8 e 69 anos, se formou na Primeira Igreja Batista, no bairro Alvorada. O grupo recebe participantes de diferentes bairros da região.

Entre os alunos mais jovens está Sophia Ronconi Guignoni, de 8 anos, cuja mãe, a professora de Educação Física Thamires Ronconi Guignoni, relata melhora na atenção da filha após o início da atividade, observação também feita pela escola. Os irmãos Herick e Heloísa Nitz, de 10 anos, começaram o curso há três meses ao lado da mãe, a assistente administrativa Letícia Nitz, que hoje pretende transformar a produção artesanal em fonte de renda.

A estudante Lara Hirle, de 15 anos, aprendeu a técnica sozinha, por meio de vídeos no YouTube, há cerca de um ano e meio. Segundo a mãe, a dentista Andressa Hirle, o crochê ajuda na concentração da filha, que não costuma passar muito tempo em redes sociais. Já as jovens Ana Clara dos Santos, 17 anos, Sofia Moreira Stein, 13 anos, Larissa Mariquito e Gabrielly dos Santos Moreira, ambas de 27 anos, apontam o crochê como atividade relaxante que reduz o tempo diante de telas.

Na turma de Cleuza da Silva Mattedi, também participam adultos e idosos, como o cabeleireiro João Calzi, de 69 anos, que começou a praticar crochê há cerca de um ano. O grupo, segundo a professora, funciona também como espaço de convivência entre os alunos.