Jean Diaz começou a carreira de ilustrador ainda como dentista formado, no início dos anos 2000. Morando na Bahia com a irmã, ele viajava uma vez por mês de ônibus até Vitória e depois de avião até São Paulo para fazer um curso de histórias em quadrinhos.
Oito meses após iniciar o curso, veio o primeiro trabalho profissional: a quadrinização da série americana The Shield, publicada nos Estados Unidos em 2004. O projeto teve cinco edições ao longo de seis meses e, segundo estimativa do próprio ilustrador, rendeu cerca de US$ 22 mil, o equivalente a aproximadamente R$ 81,4 mil.
Foi nesse período que Jean decidiu deixar a Odontologia. A mudança de carreira coincidiu com um momento pessoal difícil: o pai dele sofreu um derrame, e o ilustrador precisou retornar a Vitória para cuidar da recuperação.
O reconhecimento profissional mais marcante veio por volta de 2007, quando ilustrou a personagem Mulher Maravilha para a DC Comics. De lá para cá, o capixaba acumulou trabalhos para revistas como Super Interessante, Mundo Estranho e Saúde, além da HQ francesa Prométhée, produzida entre 2017 e 2023, e da série em quadrinhos do Ministério Público do Trabalho.
Há três anos, Jean atua para a Disney, incluindo ilustrações de jogos de cartas e um projeto atual ligado ao universo Star Wars. Segundo ele, a companhia paga em média US$ 450 (cerca de R$ 2,5 mil) por um desenho completo e entre US$ 150 e US$ 200 (de R$ 830 a R$ 1,1 mil) por personagem. Já as páginas de HQ produzidas para editoras europeias são remuneradas em torno de 300 euros cada, o equivalente a cerca de R$ 1,9 mil, com produção ideal estimada em 15 páginas por mês.
A reportagem também apresenta outros nomes da chamada economia geek no Espírito Santo: Taiani de Almeida, que vende amigurumis inspirados em personagens como Pokémon e fatura entre R$ 1.000 e R$ 1.500 por mês; Bianca Gomes, que transformou a experiência como cosplayer na empresa Seraph, voltada à organização de eventos; e a dupla Arthur Pinto e Ramon Moure, fundadores da Editora Caleidoscópio, especializada em RPG nacional, que arrecadou cerca de R$ 45 mil em financiamento coletivo para publicar o primeiro título, premiado no Goblin de Ouro de 2023.



