Entre 2015 e 2017, o Espírito Santo enfrentou uma das piores secas de sua história. Rios com vazão reduzida levaram a racionamento de água para a população e prejuízos para indústria e agronegócio. O episódio marcou uma virada na forma como produtores rurais capixabas passaram a lidar com a gestão hídrica.

Desde então, o número de barragens particulares no Estado triplicou. Segundo a Secretaria de Estado da Agricultura, o Espírito Santo tem hoje entre 60 mil e 70 mil barragens desse tipo, além de 30 estruturas maiores administradas pelo governo estadual, com capacidade conjunta de 16,8 milhões de metros cúbicos. Essas barragens públicas estão distribuídas por 21 municípios e têm a função de regular a vazão dos rios. Outras três estão em construção.

O secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, atribui a mudança a um conjunto de fatores: maior atenção dos produtores à segurança hídrica após 2015, legislação mais simples para construção de barragens e linhas de financiamento subsidiado por parte do governo estadual.

Com o El Niño em curso, o Espírito Santo está em estado de alerta, mas as condições atuais são consideradas mais favoráveis do que no ciclo de seca anterior. O principal risco apontado não é mais a falta de água nos reservatórios, e sim as temperaturas mais altas, especialmente durante a floração e o enchimento dos grãos de café — fator climático contra o qual não há defesa direta.

A irrigação também avançou nos últimos anos. Em 2017, 43% das propriedades capixabas eram irrigadas; hoje essa proporção está entre 55% e 60%, com sistemas de gotejamento e microaspersão substituindo a aspersão tradicional, o que reduz o consumo de água e energia.

Apesar dos avanços, barragens e sistemas de irrigação estão concentrados principalmente no Norte e Noroeste do Espírito Santo, com força também da irrigação na região Serrana. O Sul do Estado apresenta maior fragilidade hídrica e deve exigir atenção adicional durante e após o período de El Niño.