Hoje, enquanto o Republicanos confirmava em Vitória a chapa que leva o ex-prefeito Pazolini ao governo do Estado com Evair de Melo no Senado, o capixaba comum vivia uma agenda bem mais concreta: emprego, produção e adaptação ao clima. É esse contraste que define o dia — a política se organiza para o futuro, mas a economia capixaba já está em movimento.
Em Viana, a Prefeitura abriu 2.591 vagas no 4º Feirão de Empregos, um número expressivo para um município da Grande Vitória e que mostra que a geração de emprego formal continua sendo prioridade de gestão local, independente do calendário eleitoral estadual. É um dado que fala mais sobre a vida real do trabalhador capixaba do que qualquer convenção partidária.
No litoral sul, a PRIO anunciou que o campo de Wahoo atingiu a produção máxima planejada de 40 mil barris por dia. O petróleo continua sendo motor econômico do Espírito Santo, e esse tipo de marca eleva a expectativa de receita e emprego indireto para os próximos meses — um contraponto importante à volatilidade política que se desenha para o pleito.
Já no Caparaó, Muniz Freire aposta em algo bem diferente: floricultura como rota turística, partindo da comunidade de Bugari. É pequeno, mas revela um Espírito Santo do interior que também busca se reinventar economicamente, sem depender só de commodities ou do polo industrial da Grande Vitória.
Essa diversificação econômica ganha ainda mais sentido quando se olha para o Norte e Noroeste do Estado: com o pico do El Niño se aproximando, o ES chega mais preparado do que na seca de 2015-2017, hoje com entre 60 mil e 70 mil barragens particulares e 30 estruturas públicas de apoio ao agro. É planejamento que começa a dar resultado prático.
Mas nem tudo são boas notícias de resiliência. As peças plásticas que apareceram em Manguinhos e Curva da Baleia, na Serra, já foram encontradas em Fundão, Aracruz e Vila Velha — um alerta ambiental que se espalha geograficamente mais rápido do que as respostas institucionais. O Instituto de Meio Ambiente precisa acelerar a investigação antes que o litoral capixaba pague um preço turístico e ecológico maior.
No plano federal, a decisão do STF de ampliar a investigação sobre fraudes no INSS reacende um debate que afeta diretamente beneficiários capixabas — especialmente os do interior, onde a renda previdenciária tem peso maior na economia local. É um fio que conecta Brasília ao dia a dia de quem depende do benefício para sobreviver.
O que observar daqui para frente: se a chapa de Pazolini vai conseguir capitalizar politicamente esses indicadores econômicos positivos, se a investigação da Serra sobre o plástico vai virar política pública efetiva, e se o feirão de Viana vai se repetir em outros municípios da Grande Vitória. O Espírito Santo trabalha; a política que acompanhe o ritmo.



