Há dois calendários rodando ao mesmo tempo no Espírito Santo neste fim de agosto de 2026. Um é o político, contado em dias até a eleição e em pontos percentuais de pesquisa. O outro é o econômico, contado em bilhões de reais e anos de obra. Os dois se cruzaram nesta semana, e vale parar para entender o que cada um está dizendo sobre o rumo do Estado.
No campo político, a pesquisa Quaest para a Rede Gazeta, feita com 804 entrevistados entre 23 e 26 de agosto, trouxe dois recortes. Um mapeou o perfil de eleitor de nomes como Ricardo Ferraço, Pazolini e Helder, cruzando idade, renda, escolaridade, religião e etnia — material que vai municiar estratégias de campanha até outubro. O outro mostrou que 57% dos capixabas já decidiram o voto para o Senado, com o ex-governador Renato Casagrande na liderança das intenções. A um mês da votação, mais de metade do eleitorado capixaba já fechou a cabeça. Isso reduz o espaço de manobra dos candidatos e empurra a disputa para os 43% que ainda oscilam.
Enquanto isso, no terreno concreto, quem decidiu de fato foi a ArcelorMittal. A siderúrgica confirmou investimento entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões na planta de Tubarão, na Serra, com um novo Laminador de Tiras a Frio e uma Linha de Revestimento Contínuo. É o tipo de anúncio que não depende de urna: já está contratado, já tem obra marcada para começar nos próximos anos. Para a Grande Vitória, isso significa empregos na construção civil, movimento na cadeia de fornecedores e um sinal de que o polo siderúrgico da Serra continua sendo o motor industrial do Estado — independente de quem sentar no Senado em 2027.
Só que a política econômica também está em disputa, e não só nas urnas. A Fecomércio-ES entrou em campo para contestar a pressa do Senado em votar a PEC que acaba com a escala 6x1, prevista para a próxima semana na CCJ. A entidade pede que o empresariado seja ouvido antes de qualquer decisão. É um capítulo que mostra como a pauta trabalhista federal chega direto no bolso do comércio capixaba — hotéis, restaurantes e lojas da Grande Vitória vão sentir o efeito de qualquer mudança na escala de trabalho, e o setor não quer ser pego de surpresa.
No dia a dia, o Estado seguiu funcionando nos seus próprios trilhos. A Serra divulgou o boletim de balneabilidade da orla: dos 29 pontos analisados, 22 estão próprios para banho, um indicador relevante às vésperas da temporada de praia. Já em Aracruz, uma carreta tombou na BR 101, no km 183,8, interditando a faixa norte — mais um lembrete de que a rodovia federal continua sendo ponto crítico de logística e risco no norte do Estado, mesmo sem vítimas neste caso.
Na saúde pública, moradores de Cariacica, Vila Velha, Vitória e Viana têm à disposição o tratamento gratuito para parar de fumar, dentro do Programa Nacional de Controle do Tabagismo. É uma notícia discreta, mas que compete por atenção com o noticiário político e econômico — e talvez por isso mesmo mereça ser lembrada: política pública que funciona sem manchete grande.
No esporte, o Espírito Santo também teve seu capítulo de destaque. Vitória vai receber, entre 14 e 20 de setembro, a primeira edição da Taça Brasil de Futsal Adulto no Tancredão, com Vasco e Sport entre os times, entrada gratuita. No interior, o Linhares FC goleou o CTE/Colatina por 9 a 0 e fechou a liderança do Grupo Centro-Norte da Série B Capixaba. E no cenário nacional, Flaco López e Viveros brilharam na seleção da 24ª rodada do Brasileirão, mantendo o futebol como assunto que atravessa fronteiras estaduais.
O que fica deste domingo é um Espírito Santo que caminha em duas velocidades. A política mede o pulso do eleitor a um mês do voto, com Casagrande na frente das pesquisas para o Senado. A economia, paralelamente, já bateu o martelo em Tubarão. Nos próximos dias, vale observar dois pontos concretos: o desfecho da votação da PEC da escala 6x1 na CCJ e o cronograma de obras que a ArcelorMittal vai detalhar para a Serra — são eles que vão pautar o Estado depois que a poeira eleitoral baixar.



