Para cada criança ou adolescente disponível para adoção no Espírito Santo, há cinco famílias habilitadas a adotá-las. Atualmente são 657 pretendentes cadastrados para pouco mais de 130 crianças e adolescentes aguardando uma família, segundo dados do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES). De janeiro a agosto deste ano, 70 crianças foram adotadas no estado.
O desequilíbrio entre oferta e demanda tem uma explicação direta: a maioria das crianças disponíveis tem 8 anos ou mais, faz parte de grupos de irmãos ou tem alguma deficiência. Esse perfil foge do padrão mais procurado por quem busca adotar, geralmente famílias interessadas em crianças pequenas e sem irmãos, o que trava o processo para milhares de crianças que aguardam em unidades de acolhimento pelo país.
A juíza Richarda Littig, coordenadora das Varas da Infância e Juventude do TJES, afirma que esse é um desafio nacional. Segundo ela, o trabalho das equipes das varas passa por sensibilizar as famílias habilitadas para considerar adoções fora do padrão mais comum, incluindo crianças mais velhas e grupos de irmãos que precisam permanecer juntos.
Casos recentes no Espírito Santo mostram que essa mudança de perfil vem ganhando espaço. Adriano Paiva Souza, 40 anos, e José Eugênio Castro Fernandes, 55, moradores de Nova Almeida, na Serra, adotaram três irmãos, hoje com 9, 10 e 12 anos. O processo começou em agosto de 2024, com o curso na Vara da Infância e Juventude concluído em dezembro do mesmo ano, e teve a adoção oficializada em janeiro de 2026, após uma etapa de aproximação que incluiu uma viagem ao Rio Grande do Sul, onde as crianças estavam acolhidas.
Outro exemplo é o da empresária Bárbara Offenbacher Moreira Borges Carvalho da Silva, 39 anos, e do bancário Marcos Vinicios Borges Carvalho da Silva, 45. Depois de cinco anos tentando engravidar, incluindo duas tentativas de fertilização in vitro, o casal ingressou com pedido de adoção em maio de 2023. Em junho de 2024, foram procurados para conhecer três irmãos, o mais velho com quase 5 anos, e obtiveram a guarda provisória em menos de um mês. A adoção definitiva veio em setembro de 2024.
Segundo a juíza Richarda Littig, famílias habilitadas costumam ter preferência por crianças de até 3 ou 4 anos, mas muitas delas têm irmãos mais velhos, entre 5 e 7 anos. Por isso, as equipes das Varas de Infância e Juventude atuam para orientar sobre a importância de manter grupos de irmãos juntos durante o processo de adoção.



