O Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) instituiu um comitê para coordenar a apuração e a reparação dos danos causados pelo incêndio que atingiu o Arquivo Geral do Poder Judiciário, em Jardim Limoeiro, na Serra, na manhã de terça-feira, 21 de julho. O grupo foi criado pela presidente do TJES, desembargadora Janete Simões Vargas, e será oficializado por ato normativo publicado nesta quarta-feira, 22.

O comitê terá caráter temporário e reunirá magistrados e gestores de áreas estratégicas do tribunal. Entre as atribuições estão a elaboração de um plano de resposta emergencial e de recuperação das atividades, o acompanhamento dos levantamentos técnicos sobre os danos materiais e documentais, e a definição de medidas para restauração, identificação e eventual reconstrução de processos atingidos.

O grupo também vai preservar o patrimônio documental remanescente, integrar as ações entre unidades administrativas e judiciárias, monitorar riscos à continuidade dos serviços e acompanhar as apurações conduzidas pelos órgãos competentes. Caberá ainda ao comitê deliberar sobre infraestrutura, segurança patrimonial e logística para normalizar as atividades do tribunal.

O incêndio começou por volta das 6h30 de terça-feira e destruiu completamente os arquivos armazenados no galpão. Moradores registraram uma densa coluna de fumaça escura visível de diferentes pontos da cidade. Equipes do Corpo de Bombeiros atuaram no combate às chamas e não houve vítimas. A Prefeitura da Serra mobilizou agentes de trânsito para orientar motoristas na região e a Defesa Civil disponibilizou um caminhão-pipa para apoiar os bombeiros.

Documentos internos obtidos pela reportagem mostram que uma visita técnica ao Arquivo Geral estava agendada justamente para esta quarta-feira, 22, com o objetivo de discutir o reforço da segurança do local, onde funcionam a guarda de processos, o almoxarifado e o depósito patrimonial do Judiciário estadual. O encontro fazia parte de um processo administrativo aberto para avaliar a segurança institucional do imóvel, com despacho da Secretaria de Infraestrutura datado de segunda-feira, 20, encaminhando o caso para uma visita conjunta com a Assessoria de Segurança Institucional e a Secretaria de Engenharia.

O TJES informou que o Arquivo Geral tinha Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) válido e seguro contra incêndio vigente, além de sistema de videomonitoramento. Segundo o tribunal, o local vinha recebendo ações de organização e limpeza desde o início da atual gestão, incluindo um mutirão em junho deste ano. Uma força-tarefa promovida após a posse da presidente, em dezembro de 2025, havia retirado bens permanentes novos do galpão, que não foram atingidos pelo fogo.