Ana Paula Tavares, poeta angolana de 73 anos, é uma das convidadas de destaque da próxima edição da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip. Doutora em antropologia pela Universidade Nova de Lisboa e professora da Universidade Católica de Lisboa, ela chega ao Brasil para apresentar seu novo livro de crônicas, 'O Sangue da Buganvília', publicado pela editora Pallas com 232 páginas e preço de R$ 79.
No ano passado, Tavares se tornou a segunda mulher africana a receber o prêmio Camões, considerado o mais importante reconhecimento da literatura em língua portuguesa. Antes dela, apenas a moçambicana Paulina Chiziane havia recebido a distinção, em 2021. Dos 38 laureados na história do premio, apenas dez são mulheres.
A obra da autora é marcada pela reflexão sobre o corpo feminino, tema que atravessa livros como 'Ritos de Passagem', de 1985, e 'Amargos como os Frutos', publicado no Brasil também pela Pallas. Segundo a poeta, a intenção é retratar a mulher como sujeito de sua própria experiência, e não como objeto observado de fora.
Tavares também aborda em sua obra o passado colonial de Angola, incluindo crônicas sobre a Revolução dos Cravos, movimento que depôs o ditador português Salazar em 1974, um ano antes da independência angolana. A autora vive em Lisboa há mais de três décadas, mas mantém acompanhamento próximo da realidade angolana, incluindo os protestos por alta de preços registrados no país no ano passado.
Na Flip, a escritora protagonizará uma mesa exclusiva para apresentar o novo livro. Ela destaca que o intercâmbio entre a literatura brasileira e a produção de países africanos de língua portuguesa ainda é desigual, com maior dificuldade de circulação da literatura brasileira contemporânea nos países africanos do que o inverso.



