A partir de 24 de julho de 2026, o governo americano passou a aplicar uma sobretaxa extra de 12,5% sobre a maioria dos países investigados por suposta omissão no combate à importação de bens ligados a trabalho forçado. A medida se soma a uma tarifa de 25% já em vigor para parte das exportações brasileiras, o que pode gerar efeito cumulativo em alguns produtos.
Setores com maior valor agregado industrial, como calçados, máquinas e equipamentos, e segmentos químicos e têxteis, tendem a perder competitividade caso as tarifas se somem. Produtos como carne bovina e café aparecem com frequência entre as exceções citadas, mas a lista oficial ainda vai definir o impacto real por produto.
Para tentar reduzir os danos, o governo federal lançou o Plano Brasil Soberano 3, com R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito destinadas a empresas exportadoras prejudicadas. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reforçou que o Brasil deve continuar negociando com os EUA, mantendo aberta também a possibilidade de acionar a Lei da Reciprocidade ou mecanismos da OMC.
O Espírito Santo tem participação relevante na pauta exportadora nacional, com destaque para café, rochas ornamentais (mármore e granito) e produtos siderúrgicos e de celulose. Uma sobretaxa cumulativa sobre manufaturados e possíveis desdobramentos em cadeias produtivas podem afetar empresas capixabas que exportam para o mercado americano, ainda que o impacto direto dependa da lista final de exceções tarifárias.
