Os Estados Unidos confirmaram, na noite de quarta-feira, a aplicação de uma tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A medida passa a valer no dia 22 deste mês e já mobiliza empresas e especialistas para calcular o tamanho do impacto na economia nacional.

A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) estima que a nova tarifa deve afetar mais de US$ 11 bilhões em exportações da indústria e do agronegócio. Por outro lado, cálculos do economista João Carmo, da 4Intelligence, e de José Pio Borges, do Cebri, apontam que 62% das exportações brasileiras para os EUA ficaram isentas da taxa.

Segundo Borges, considerando que os Estados Unidos representam cerca de 12% das exportações brasileiras e que 62% desse total ficou fora do tarifaço, o percentual de exportações nacionais realmente afetado fica em torno de 4,5%. Ainda assim, alguns setores concentram perdas relevantes, como máquinas, equipamentos e agroindústria, áreas que também têm presença na economia capixaba.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) calcula que 26,2% das exportações brasileiras para os EUA serão afetadas e destaca que, no primeiro semestre, 20 dos 27 estados já haviam reduzido as vendas ao mercado americano em relação a 2025. O material disponível não detalha especificamente a situação do Espírito Santo dentro desse recorte.

A consultoria Buysidebrazil e o banco Goldman Sachs apresentam estimativas distintas sobre a tarifa efetiva, que variam entre 16,8% e 24,1%, dependendo da metodologia. O Brasil aparece como o país com a maior alíquota entre os principais parceiros comerciais dos EUA na América Latina, superando Peru, México e Argentina.

Entidades como a Amcham e a Fiemg alertam para riscos de substituição de fornecedores brasileiros, pressão sobre preços e renegociação de contratos comerciais. Já a Fiesp atribuiu a decisão americana a fatores políticos internos do governo brasileiro, em nota que adotou tom mais político do que técnico.