A taxa de fraudes em apostas esportivas no Brasil mais que dobrou em um ano. Em 2025, o índice era de 1,01%. No primeiro trimestre de 2026, chegou a 2,2%, segundo o iGaming Fraud Report 2026, produzido pela Sumsub, plataforma global de verificação de identidade e compliance.

O resultado coloca o Brasil na terceira posição entre os países latino-americanos com maior risco de fraude no setor de apostas, atrás do Equador, com 7,3%, e muito próximo do Chile, que registra 2,3%. O país também está acima da média mundial, de 1,53% de tentativas fraudulentas entre todos os acessos analisados pela empresa.

O crescimento das fraudes segue mesmo após a regulamentação do setor de apostas no Brasil, concluída nos últimos anos. O valor médio das transações suspeitas subiu 64% em 2026, chegando a cerca de R$ 35 mil. As fraudes mais comuns na América Latina são selfies falsificadas com deepfakes, responsáveis por 33,3% dos casos, e documentos de identificação falsos, com 31,1%. A maior parte dos ataques ocorre entre 0h e 3h, quando as equipes de segurança das operadoras costumam operar com menos pessoal.

Segundo a Sumsub, o avanço da inteligência artificial reduziu o custo e a habilidade técnica necessários para fraudar em escala, o que sobrecarrega os sistemas de verificação das plataformas. O uso de identidades falsas cresceu 27% no mundo desde 2024, com passaportes como principal alvo.

Enquanto isso, o governo federal tem concentrado esforços no combate a plataformas ilegais. Desde junho, a Receita Federal responsabiliza solidariamente influenciadores que divulgam bets sem autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas, cobrando deles Imposto de Renda e contribuições de PIS/Cofins não recolhidos pelas empresas irregulares. Fintechs e bancos que continuarem processando pagamentos para essas plataformas após notificação formal também passam a responder pelos tributos devidos.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública estima que 25,2 milhões de brasileiros usem plataformas clandestinas, o que já levou ao bloqueio de mais de 40 mil sites e aplicativos com apoio da Anatel. Na última terça-feira (14), a pasta voltou a cobrar Apple e Google sobre o controle de apps de apostas em suas lojas, questionando como as empresas identificam bets sem autorização e impedem o acesso de menores de 18 anos. As companhias têm cinco dias úteis para responder.