Depois de mais de uma década de seleção genética, o produtor rural Alexandre Lemke Belz criou uma variedade de gengibre mais resistente a pragas e doenças. A cultivar foi reconhecida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e se tornou a primeira variedade de gengibre registrada oficialmente no Brasil.
A nova variedade recebeu o nome de Imigrante, em homenagem aos pioneiros que ajudaram a formar a região serrana capixaba. Ela começou a ser comercializada essa semana no Sítio Hort Belz, em Santa Leopoldina, no primeiro viveiro de mudas certificadas de gengibre do País.
Alexandre trabalha com gengibre há cerca de 15 anos e transformou a cultura na principal fonte de renda da família. Além de vender no mercado interno, ele exporta o produto para os Estados Unidos e para os Países Baixos (Holanda). O primeiro contêiner, com mais de 19 toneladas, foi embarcado em 2024, após contato com a empresa Toff.
A produtividade da propriedade chama atenção pelos números. Enquanto a média estadual fica em torno de 60 toneladas por hectare, o sistema de manejo orgânico adotado por Alexandre chegou a 145 toneladas por hectare.
O avanço teve apoio do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), que passou a realizar testes científicos na propriedade a partir de novembro de 2021. A parceria, conduzida pelo Projeto Fortac, envolveu investimento de R$ 500 mil e viabilizou o registro da cultivar Imigrante e de outras três variedades no Registro Nacional de Cultivares (RNC) do Ministério da Agricultura.
Os ensaios de campo seguiram as exigências do ministério e avaliaram itens como a anatomia do rizoma, a resistência a doenças e a produtividade da planta. O trabalho resultou nas primeiras cultivares de gengibre registradas no País, com origem na pesquisa desenvolvida em Santa Leopoldina.



