Guarapari é conhecida nacionalmente pelas praias e pelo turismo de verão, mas o momento atual do município mostra uma economia que já não depende apenas da alta temporada. Novos moradores, ampliação de serviços, investimentos anunciados e o fortalecimento de atividades no interior vêm ampliando o peso da cidade na economia do Espírito Santo.

Os números do Censo do IBGE mostram a dimensão da mudança. A população saltou de 105.286 habitantes em 2010 para 124.656 em 2022, um crescimento de 18,4% em 12 anos — são 19.370 moradores a mais pressionando a demanda por educação, saúde, transporte e comércio. A estimativa do IBGE usada no levantamento aponta 137.659 habitantes para 2026.

A cidade também ampliou suas conexões com a Grande Vitória, favorecidas pela expansão do Transcol e pela localização estratégica entre a região metropolitana e o sul do Estado. Segundo Pablo Lira, pós-doutor em Geografia e pesquisador do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Guarapari deixou de depender tanto da Grande Vitória e passou a atrair moradores de cidades vizinhas, como Anchieta e Alfredo Chaves, em busca de comércio, serviços e educação. A presença de escolas, instituições de ensino superior, empresas de logística e a proximidade da BR-101 ajudam a sustentar esse novo cenário.

A carteira de investimentos anunciados do IJSN reúne R$ 4,157 bilhões em projetos públicos e privados previstos para o período de 2024 a 2029, colocando Guarapari na 11ª posição entre os municípios capixabas em valor anunciado. Os recursos correspondem a projetos previstos para diferentes anos e não representam, necessariamente, investimentos já executados ou integralmente desembolsados.

Enquanto o litoral segue como cartão-postal, a região de montanha também ganha força econômica. Na Rota da Ferradura, que conecta Buenos Aires, Boa Esperança e Arraial do Jabuti, estabelecimentos de gastronomia e hospedagem atraem visitantes ao longo do ano. Ademir Reis Costa, dono do Bar e Restaurante do Ademir, levou o negócio para Buenos Aires em 2011, quando a região ainda recebia poucos visitantes, e relata que o movimento turístico se tornou mais constante a partir de 2014 e 2015, deixando de se concentrar apenas no verão e nos feriados.

O diagnóstico Viva Guarapari, desenvolvido pelo Guarapari em Ação (GEA) em parceria com o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) e apoio da Samarco, ouviu 107 empreendimentos das regiões de Meaípe, Centro, Praia do Morro, Setiba e Buenos Aires entre setembro de 2025 e janeiro de 2026. O estudo traça um panorama dos setores de hospedagem, alimentação e entretenimento e aponta recomendações para governança turística, promoção do destino e qualificação profissional, sem que isso signifique que todas as ações já tenham sido implementadas. A administração municipal também avança na digitalização de serviços, com a implantação do processo digital 100% eletrônico, segundo o procurador-geral Thiago Gobbi.