A lavagem nasal é indicada para fluidificar o muco, remover poluentes e partículas virais das vias aéreas superiores. Mas, quando feita de forma incorreta, pode causar dores de cabeça intensas, irritação da mucosa, sangramentos e infecções graves, segundo médicos otorrinolaringologistas.
Flávia Gomes, presidente da Associação de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial do Espírito Santo (Assorles), relata aumento de atendimentos de crianças e adultos com dor de ouvido, otites e até mastoidites ligadas à prática inadequada da lavagem nasal. A médica atribui parte do problema à disseminação de informações incorretas na internet.
O erro mais comum apontado pelos especialistas é realizar a lavagem com o paciente deitado ou com a cabeça inclinada para trás. Nessa posição, o líquido pode seguir diretamente para o ouvido médio, levando catarro e bactérias que provocam otites e, em casos mais graves, mastoidite, infecção bacteriana no ouvido.
A orientação correta, segundo a otorrinolaringologista Christiane Helmer, é inclinar levemente a cabeça para frente, deixando um dos lados mais elevado, com a boca aberta. A irrigação deve ser feita na narina mais alta, sem necessidade de o soro sair pela narina oposta, e o frasco deve ser apertado apenas com dois dedos para evitar excesso de pressão.
A técnica pode ser usada por recém-nascidos, adultos e idosos, desde que adaptada à faixa etária, conforme explica Fabiana de Sá Almeida, do Hospital Vitória Apart. Pacientes alérgicos costumam se beneficiar do uso diário, mas crianças abaixo de 4 anos exigem cuidado redobrado, com uso de sprays fisiológicos em vez de garrafinhas.
A lavagem nasal é especialmente recomendada para quem tem rinite alérgica, sinusite, gripes, resfriados, sangramentos nasais ou exposição frequente à poeira e à poluição, comum em regiões metropolitanas. Pacientes com obstrução nasal completa, alterações anatômicas ou infecções de ouvido devem ser avaliados por um otorrinolaringologista antes de iniciar o procedimento.



