Hoje, domingo, 25 de outubro de 2026, o Espírito Santo fecha um capítulo eleitoral que começou semanas atrás, mas a decisão de centenas de milhares de eleitores ainda está em aberto. Segundo a Justiça Eleitoral, 639.248 capixabas não compareceram às urnas no primeiro turno e seguem aptos a votar neste segundo turno. É um número que merece ser dito em voz alta: não estamos falando de uma margem estatística irrelevante, mas de um contingente capaz de decidir disputas apertadas em qualquer canto do Estado.
O detalhe que chama atenção — e que deveria chamar mais — é a desigualdade no acesso ao voto embutida na logística de hoje. Na Grande Vitória, quem precisa se deslocar até a seção eleitoral pode contar com Transcol, Aquaviário e Transcol + Acessível de graça, sem pagar passagem. É uma medida correta e necessária, que reduz uma das barreiras mais comuns ao exercício do voto: o custo do deslocamento. O problema é que essa gratuidade não se estende ao Sitrip-ES, sistema que atende outros municípios fora da região metropolitana.
Na prática, isso significa que um eleitor de Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica ou Viana tem um caminho facilitado até a urna, enquanto um morador de cidades atendidas pelo Sitrip precisa arcar com o próprio bolso para cumprir o mesmo dever cívico. Não é exagero dizer que a cidadania eleitoral, neste domingo, tem preço diferente dependendo de onde você mora no Espírito Santo. E são justamente esses eleitores de menor renda, muitas vezes do interior ou de bairros periféricos, que mais sentem o peso de uma passagem de ônibus no dia em que mais precisam se deslocar.
Esse descompasso ganha ainda mais relevância quando colocado ao lado do número de 639 mil ausentes no primeiro turno. Se uma parte relevante desse contingente mora fora da área coberta pela gratuidade, a decisão de ir ou não às urnas hoje pode ter sido tomada, em parte, por uma equação de custo-benefício que nada tem a ver com convicção política. É um fator que os números oficiais não capturam, mas que pesa na hora de interpretar a taxa de comparecimento final.
Enquanto o Espírito Santo decide seu segundo turno, o resto do noticiário do dia segue seu curso paralelo, lembrando que a vida pública não para por causa da eleição. O Core-ES prepara, para terça-feira, 27 de outubro, o lançamento do livro que celebra os 60 anos da entidade, um registro histórico da representação comercial capixaba que, independentemente do resultado nas urnas, seguirá seu calendário. No campo esportivo, o Palmeiras assumiu a liderança provisória do Brasileirão ao vencer o Bragantino por 2 a 0 neste sábado, com gols de Mauricio e Giay — notícia que, por mais distante que pareça da política capixaba, é o tipo de assunto que divide a atenção do eleitor neste fim de semana decisivo.
O que fica como lição deste domingo é que a logística eleitoral não é um detalhe técnico menor: ela é parte da própria democracia. Garantir transporte gratuito é um avanço, mas garanti-lo de forma desigual entre regiões do mesmo Estado é um ponto que merece debate público mais amplo, para que o próximo pleito corrija a assimetria entre Grande Vitória e interior.
Nas próximas horas, o que vale observar é simples: a taxa de comparecimento entre os 639 mil ausentes do primeiro turno, especialmente nos municípios fora da cobertura do transporte gratuito. Se esse grupo comparecer em proporção menor do que o esperado, a discussão sobre acesso e equidade no exercício do voto deve ganhar força nos próximos ciclos eleitorais capixabas.

