A privatização da Copasa pode trazer melhorias para o setor de saneamento, mas também apresenta graves preocupações que devem ser tratadas com urgência. Dentre os avanços, destaca-se a cláusula de não competição que protegerá o mercado de saneamento em Minas Gerais. Essa abordagem, se bem implementada, poderá evitar a concentração de mercado e garantir uma diversidade de fornecedores.
Entretanto, três aspectos críticos precisam ser abordados para garantir que a privatização não prejudique os serviços aos usuários. A primeira e mais alarmante questão é a falta de metas claras e mensuráveis que deveriam ser estabelecidas na concessão. A ausência dessas diretrizes aumenta o risco de não se atingir a universalização dos serviços, afetando diretamente a qualidade e a eficiência das operações em municípios capixabas que dependem do saneamento mineiro.
Adicionalmente, o contrato inicial apenas abrange áreas urbanizadas, excluindo localidades vulneráveis como favelas. Este aspecto é alarmante, visto que a inclusão de áreas carentes é crucial para a construção de uma equidade social no acesso ao saneamento. Se essas áreas forem desconsideradas, a privatização pode acabar gerando mais desigualdade em um momento em que a inclusão social é uma necessidade premente.
Com informações de Folha de S.Paulo · publicado originalmente em 29/04/2026.



