Antes de a Ilha das Caieiras se tornar um dos principais polos gastronômicos de Vitória, Laura Correia dos Santos, a Tia Laura, hoje com 95 anos, já reunia moradores em casa para discutir os rumos da comunidade. Ela foi a primeira presidente da associação de moradores do bairro, ainda nos anos 1960.

Durante esse período, Tia Laura participou de mobilizações por serviços de saúde e educação na região. Segundo relato dela, o posto de saúde da Ilha das Caieiras, hoje conhecido como Casa Juventude, foi conquistado por meio de articulação junto ao Estado e à prefeitura.

A casa de Tia Laura também recebeu reuniões ligadas à organização das desfiadeiras, atividade tradicional da região. A filha Andréia Maria Correia da Silva lembra que a primeira reunião sobre a formação da cooperativa das desfiadeiras teria ocorrido justamente na casa da família.

A educação foi outra bandeira marcante da trajetória de Tia Laura. Dos dez filhos que teve, seis das filhas se tornaram professoras. Segundo a filha Dulce Correia da Silva, a mãe também incentivava outras famílias da comunidade a colocarem os filhos para estudar.

A preocupação com a infância também motivou a criação da primeira creche da Ilha das Caieiras, em um contexto de dificuldades enfrentadas pelas famílias da região. O espaço, hoje ocupado pelo CMEI Magnólia Dias Miranda Cunha, funcionava como unidade de proteção ao pré-escolar, oferecendo alimentação, higiene e atendimento médico e odontológico às crianças.

Décadas depois das mobilizações, a história de Tia Laura foi retratada em um mural no Beco do Caborê, na Ilha das Caieiras, feito pelo artista capixaba Nico Duarte em parceria com outros artistas da região. A obra reúne referências às desfiadeiras, à pesca e à cultura local, e passou a atrair a atenção de turistas que visitam o bairro.