Vitória assumiu pela primeira vez a liderança nacional do preço do metro quadrado de apartamentos residenciais, segundo o Índice FipeZap. Em julho, o valor médio na capital capixaba chegou a R$ 15.448, superando cidades como Itapema e Balneário Camboriú, tradicionalmente no topo do ranking. Vila Velha também aparece bem posicionada, em nono lugar entre as cidades mais caras do país, com R$ 11.341.
Entre os fatores que ajudam a explicar o valor elevado está a geografia da capital. Vitória é a capital brasileira com menor território, tem poucos terrenos disponíveis e regras mais restritivas para verticalização. Isso empurra parte da demanda para Vila Velha, que tem maior capacidade de lançamento de novos empreendimentos.
A metodologia do ranking também tem um efeito direto sobre o resultado. Como Vitória praticamente não tem espaço para empreendimentos populares dentro de seus limites, esses projetos acabam concentrados em municípios vizinhos, principalmente Serra e Cariacica. Em outras regiões metropolitanas, onde a capital tem território maior, bairros caros e áreas mais acessíveis entram na mesma média municipal — o que não acontece em Vitória.
Outro elemento apontado é o movimento migratório. Segundo o Censo Demográfico do IBGE, entre 31 de julho de 2017 e 31 de julho de 2022, 102.402 pessoas vieram de outros estados para morar no Espírito Santo, enquanto 74.534 fizeram o caminho inverso. O saldo migratório interestadual nesse período foi positivo em 27.868 pessoas.
Em uma janela mais longa, de até dez anos, o saldo migratório interestadual positivo chega a 53.170 pessoas. Os dados indicam que o Espírito Santo vem atraindo mais moradores de outros estados do que perdendo ao longo de toda a década anterior ao Censo de 2022, movimento que, segundo a análise, segue intenso.



