A VLI passou a transportar ferro-gusa de Minas Gerais para o Espírito Santo por uma nova rota da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). O material, principal matéria-prima para produção de aço e ferro fundido, sai de regiões produtoras mineiras com destino aos terminais capixabas da Vports.

O projeto foi desenvolvido em parceria entre VLI, Vports e Multilift, com investimento conjunto de R$ 130 milhões. No Espírito Santo, o ferro-gusa poderá ser embarcado em navios de até 55 mil toneladas, já que o calado mais profundo da estrutura portuária da Vports permite receber embarcações de maior porte.

Pelo Corredor Leste da FCA, que liga o Triângulo Mineiro aos portos capixabas, a VLI movimenta cerca de 28 milhões de toneladas por ano. Minas Gerais concentra cerca de 70% da produção nacional de ferro-gusa, com 5,4 milhões de toneladas em 2025 e capacidade instalada de aproximadamente 420 mil toneladas por mês, segundo o Sindifer-MG. São 48 usinas e 63 fornos em operação no estado, sendo Sete Lagoas o principal polo, com 21 unidades produtivas.

Cerca de três quartos do ferro-gusa produzido no Brasil são exportados, proporção semelhante à registrada em Minas Gerais. Antes de um novo tarifaço, os Estados Unidos respondiam por mais de 80% das exportações mineiras e nacionais do insumo.

No sentido inverso da nova rota, a VLI projeta transportar cerca de 30 mil toneladas mensais de coque, usado na construção civil. O transporte evita o retorno de vagões vazios, um gargalo comum na logística ferroviária.

A movimentação também amplia a atuação da VLI como Agente Transportador Ferroviário de Cargas na Estrada de Ferro Vitória a Minas, administrada pela Vale. A empresa obteve o registro há cerca de dois anos e, desde então, investiu R$ 600 milhões em locomotivas, vagões e adequações operacionais, incluindo compras da própria Vale e da fabricante Wabtec Corporation, de Contagem (MG).