Quando o assunto é economia capixaba, portos, minério e café costumam dominar a conversa. O comércio atacadista e distribuidor, no entanto, responde hoje por quase 30% de toda a arrecadação de ICMS do Espírito Santo, superando em volume a participação da indústria e do varejo.

O setor movimenta um fluxo comercial interestadual equivalente a mais de quatro vezes o PIB capixaba e conta com mais de quatro mil empresas espalhadas por 75 dos 78 municípios do Estado. Nenhum outro setor tem capilaridade parecida no território capixaba.

Essa posição não surgiu da noite para o dia. O modelo antigo, de atacado de balcão e distribuição restrita ao entorno imediato, deu lugar a operações de escala nacional, impulsionadas pela posição geográfica do Espírito Santo no centro do litoral brasileiro e pela proximidade com grandes portos.

O impacto direto aparece no emprego: são mais de 56 mil trabalhadores formais ligados diretamente ao setor e mais de 120 mil quando somados os postos indiretos. Motoristas, operadores de armazém, analistas fiscais e técnicos de logística sustentam famílias em Serra, Cariacica, Viana e também em municípios do interior.

O setor, muitas vezes associado a operação braçal, tem investido em automação de armazéns, robôs colaborativos e inteligência artificial aplicada à previsão de demanda e otimização de rotas. A modernização tem gerado demanda por profissionais como analistas de dados e técnicos em automação.

Entre os desafios apontados está a transição tributária prevista pela Reforma de 2032, que exigirá planejamento do Estado em segurança jurídica e investimento em logística para manter a posição conquistada nas últimas décadas.