O custo total para manter as Câmaras Municipais do Espírito Santo chegou a R$ 616,7 milhões em 2025, maior valor já registrado. O número representa alta de 9,8% em relação ao ano anterior, já corrigido pela inflação, conforme o anuário Finanças dos Municípios Capixabas 2026, elaborado pela Aequs Consultoria.

O levantamento mostra um descompasso nas contas públicas municipais. Entre 2022 e 2025, as despesas dos Legislativos municipais cresceram 34%, enquanto as receitas correntes das prefeituras aumentaram 22,3% no mesmo período.

Enquanto os gastos das Câmaras subiram, os investimentos das prefeituras caíram. Segundo dados citados no anuário, os investimentos municipais recuaram 28,6% de 2024 para 2025, movimento associado ao início de mandato dos novos prefeitos, que costumam reduzir despesas nos primeiros meses de gestão.

Diferente do Executivo, o Legislativo não aplica recursos diretamente em obras ou serviços à população, exceto por emendas parlamentares, que saem do Tesouro municipal e não do orçamento da própria Câmara. As despesas legislativas são majoritariamente com custeio e folha de pagamento.

O anuário não detalha o destino específico das verbas em cada Câmara. Mas o início de uma nova legislatura, como ocorreu em 2025, historicamente é acompanhado por reajustes nos subsídios de vereadores, reestruturação de cargos comissionados e ajustes em verbas de gabinete, decisões tomadas ainda na legislatura anterior.

O economista Alberto Borges, sócio da Aequs, avalia que os repasses das prefeituras às Câmaras seguem regras constitucionais ligadas à arrecadação e à população do município. Para ele, esse modelo é anacrônico e pode gerar recursos além do necessário para o funcionamento do Legislativo.