Nova York se tornará o primeiro estado americano a impor uma moratória de um ano na construção de novos data centers. A proibição vale para instalações com mais de 50 megawatts de capacidade, patamar considerado moderado já que um data center grande típico opera com pelo menos 100 MW.

A decisão foi anunciada pela governadora Kathy Hochul, que assina o decreto nesta terça-feira (14). Segundo ela, a escala e a velocidade do crescimento desses empreendimentos geraram uma demanda sem precedentes sobre os recursos de energia e água, com risco de elevar os custos de serviços públicos para os moradores do estado.

Durante o período de suspensão, autoridades estaduais vão elaborar medidas para proteger consumidores de energia e avaliar os impactos ambientais dos projetos. A ordem é uma versão mais branda de um projeto de lei aprovado pela legislatura estadual, que pretendia travar instalações acima de 20 MW.

Atualmente, há 12 gigawatts em solicitações pendentes na fila do operador da rede elétrica de Nova York, volume próximo ao pico de consumo de eletricidade de Portugal. O estado tem hoje 133 data centers, número bem menor que os 637 da Virgínia e os 504 do Texas, os principais polos do setor no país.

O movimento reflete uma reação crescente nos Estados Unidos contra os data centers voltados à inteligência artificial, motivada pelo temor de aumento nas tarifas de energia e no consumo de água. Ao menos 14 outros estados avaliam medidas semelhantes, entre eles Geórgia, Michigan e Pensilvânia, enquanto a Virgínia já criou um imposto sobre o uso de energia dessas instalações.

No primeiro trimestre de 2026, cerca de 75 projetos de data centers, somando US$ 130 bilhões, foram interrompidos por oposição de comunidades locais nos EUA. A Casa Branca informou que vai incluir empresas de energia e desenvolvedores de data centers em um compromisso de proteção ao consumidor já firmado com gigantes da tecnologia como Amazon, Google, Microsoft e OpenAI.